Investigadores do Insa identificam nova ação anticancerígena do ibuprofeno

por Teresa Mendes | foto de "DR" | 23.07.2019

«A new twist to ibuprofen: alternative action in alternative splicing»
Investigadores do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa) descobriram que o ibuprofeno impede as células cancerígenas de produzirem variantes tumorigénicas de certas proteínas, sobretudo no cancro do cólon.

Os trabalhos da equipa liderada por Peter Jordan, investigador do Departamento de Genética Humana do Insa, que foram resumidos e publicados na revista European Medical Journal, revelaram que este medicamento anti-inflamatório de uso comum, impede as células cancerígenas de produzirem variantes tumorigénicas de determinadas proteínas, num processo conhecido como splicing alternativo.

No caso do cancro do cólon, uma das variantes tumorigénicas que a equipa de investigação identificou anteriormente caracteriza cerca de 10% dos tumores e estimula a taxa de sobrevivência das células malignas. 

Já se conhecia que a toma regular deste medicamento podia em casos de risco prevenir o aparecimento do cancro do colón, «mas achava-se sempre que tinha a ver com o efeito do ibuprofeno e as outras drogas, a aspirina também é um exemplo ao nível da formação de prostaglandinas», explica o investigador, citado num comunicado divulgado pelo Insa.

Investigadores do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa) descobriram que o ibuprofeno impede as células cancerígenas de produzirem variantes tumorigénicas de certas proteínas

«O ibuprofeno, mas não outros AINEs como a aspirina, ao contrariar a produção desta variante consegue inibir o crescimento das células malignas», sublinha a nota à Imprensa.

«Estudos que identificam marcadores de progressão maligna no início do desenvolvimento tumoral são importantes para desenvolver um diagnóstico mais preciso e uma terapia mais eficaz que seja dirigida especificamente às alterações génicas presentes em cada tumor do doente», refere ainda Peter Jordan, acrescentando que «um estudo mais sistemático dos efeitos do ibuprofeno poderá agora indicar quais os subgrupos genéticos desta doença que beneficiariam da inclusão deste AINE no regime terapêutico administrado».

O cancro do cólon e do reto é um dos tumores mais frequentes em Portugal. Segundo os dados mais recentes sobre a incidência de cancro divulgados pela Agência Internacional de Investigação do Cancro, o cancro do cólon passou a ser, em 2018, a primeira causa de novos casos de cancro em Portugal.

Da autoria de Peter Jordan, Vânia Gonçalves e Paulo Matos, a investigação contou ainda com o apoio do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O estudo, intitulado «A new twist to ibuprofen: alternative action in alternative splicing», pode ser consultado aqui.

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23 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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