Maioria dos médicos são a favor da legalização da eutanásia em Portugal

por Teresa Mendes | 30.07.2019

Investigação auscultou opinião de médicos de diferentes especialidades 
Quase 60% dos médicos são a favor da legalização da eutanásia em Portugal, segundo um estudo desenvolvido por investigadores do CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, publicado recentemente na Revista Ibero-americana de Bioética.

Dos 251 médicos que participaram do estudo, 58,2% mostraram-se favoráveis à legalização da eutanásia.

Na maioria dos cenários que compreendiam o conceito de eutanásia voluntária, a concordância com sua aplicabilidade foi de cerca de 55%. Já nos cenários de eutanásia não voluntária, mais de 60% dos médicos discordaram de sua aplicação.

Os investigadores concluem que «parece claro que os critérios mais relevantes para concordar ou não com a eutanásia são o respeito pela autonomia do doente e a existência de sofrimento».

A investigação, da autoria de Sofia da Silva, Luís Azevedo e Miguel Ricou, auscultou a opinião de médicos de diferentes especialidades - nomeadamente de Anestesiologia, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Oncologia e Psiquiatria, quanto à prática e legalização da eutanásia – em seis hospitais e 15 centros de saúde da região Norte do país.

Os investigadores concluem que «parece claro que os critérios mais relevantes para concordar ou não com a eutanásia são o respeito pela autonomia do doente e a existência de sofrimento» 

Os resultados indicam ainda que a maioria dos médicos é a favor da legalização da eutanásia, sobretudo os mais novos, com menos experiência profissional e sem crenças religiosas.

No entanto, segundo os investigadores, «a opinião dos médicos é fortemente influenciada pelos cenários concretos que lhes são apresentados».

Ou seja, enquanto 55% concordam com cenários de eutanásia voluntária, menos de 40% concordam com cenários de eutanásia involuntária e apenas 20% aceitam a eutanásia num «adulto com doença terminal que ainda goza de boa qualidade de vida».

De acordo com os autores, este estudo reforça a ideia de que, independentemente da evolução aparente do conceito de «boa morte», «a eutanásia é um assunto ainda controverso, representando um problema médico e social em Portugal», defendendo, por isso, que «são necessários mais estudos sobre este tema».

O artigo completo pode ser consultado aqui.

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30 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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