Neonatologia do Algarve sem condições para garantir qualidade dos serviços

por Teresa Mendes | 31.07.2019

Alerta do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos
Os médicos do Serviço de Neonatologia do Hospital de Faro, numa carta enviada à administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, dizem estar cansados e sem condições para garantir a qualidade dos serviços prestados a bebés recém-nascidos e prematuros, considerando que aquele serviço vive «uma situação dramática».

«Os médicos estão a trabalhar num estado de exaustão, transgredindo os limites de segurança e boas práticas clínicas», alertam os clínicos, lembrando que dos doze especialistas que formam o quadro atual do serviço, cinco estão impedidos de dar o seu contributo, dois por razões de saúde e três por estarem de licença de parto ou de gravidez avançada.

O presidente do Conselho Regional do Sul (CRS) da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, que se deslocou esta terça-feira àquele Serviço – acompanhado pelo presidente do Conselho Sub-regional de Faro, Ulisses Brito – para avaliar com os médicos as possibilidades de solução, manifestou a sua preocupação por não ver «no quadro atual de contratação» alguma possibilidade de resolver o problema sem ser com o sacrifício dos profissionais e responsabilizou o Ministério da Saúde por isso.

Na reunião, na presença do diretor clínico do CHUA, o dirigente disse aos colegas que «só abrindo uma exceção no regime de contratação» será possível evitar «uma situação dramática» referida pelos médicos na carta enviada ao conselho de administração, lê-se num comunicado publicado no site do CRS da Ordem dos Médicos.

No final da reunião, Alexandre Valentim Lourenço explicou, em declarações à TSF, que o problema se passa numa Unidade de Neonatologia que recebe bebés de todo o Algarve. «Estamos a falar de crianças e bebés em situação crítica, são unidades que salvam vidas de crianças», sublinhou.

A Ordem dos Médicos pretende que se encontrem soluções de longo prazo para que os médicos não continuem a trabalhar «à custa de sacrifícios individuais», mas até agora a administração não tem dado qualquer resposta positiva.

O presidente do CRS recordou que, para além do serviço normal, estes médicos têm de manter as urgências e o transporte de bebés recém-nascidos e muitas vezes prematuros.

A agravar toda a situação, está a falta de recursos humanos no Hospital de Portimão, que leva a encerrar a urgência de Pediatria em vários dias da semana. «O Hospital de Faro não tem capacidade para o seu fluxo normal quanto mais para Portimão e para os meses de férias», lamentou o responsável.

Alexandre Valentim Lourenço disse aos médicos, na reunião, que só um modelo de contratação excecional pode ser a solução imediata.
Por seu turno, o diretor do serviço afirmou que, para já, será urgente uma redução do número de vagas, de forma a que os sete especialistas possam dar resposta ao serviço e a todas as tarefas necessárias.

Entre as soluções apontadas pelo Presidente do CRS contam-se o pagamento a médicos do próprio serviço ao nível do que é pago às empresas externas, uma vez que «no mínimo, é imoral» ter médicos especialistas a receber menos de um terço do que recebe um médico que vem de outra unidade de saúde.

O dirigente advertiu que a situação atual já acarreta muitos riscos e que os médicos «estão no limite» em muitas das unidades hospitalares do país.

Entretanto, Ana Paula Gonçalves, presidente do conselho de administração do CHUA disse à TSF que tem havido um esforço para colmatar a falta de recursos humanos nos hospitais de Faro e Portimão.

Alexandre Valentim Lourenço disse aos colegas que «só abrindo uma exceção no regime de contratação» será possível evitar «uma situação dramática» referida pelos médicos na carta enviada ao conselho de administração 

«O senhor bastonário esteve cá há 15 dias e disse que nos ia trazer pediatras, mas até agora ainda não nos conseguiu ajudar», afirmou. 

Na sua opinião, a longo prazo, terá que se pensar em aumentar a formação dos médicos nesta área, visto que a idade das mães está a aumentar e os casos de bebés a precisarem de assistência também. 

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31 de Julho de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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