Internamento de crianças com doenças crónicas complexas em Portugal está a aumentar

por Teresa Mendes | 02.08.2019

Autores defendem cuidados eficazes, coordenados e sustentáveis
Embora o número absoluto de internamentos de doentes pediátricos esteja a diminuir, os internamentos de crianças com doenças crónicas complexas (DCC) em Portugal têm vindo a aumentar, sendo mais prolongados, onerosos e com maior probabilidade de ocorrência de morte do que os restantes, alerta um estudo publicado na edição de julho/agosto da Acta Médica Portuguesa.

A investigação, liderada por Ana Forjaz Lacerda, estudou o período entre 2011 e 2015, tendo sido selecionados 419 927 episódios de internamento de doentes pediátricos, sendo 64 918 (15,5%) episódios com DCC.

Os resultados mostraram que os episódios de DCC representaram «29,8% dos dias de internamento, 39,4% da despesa e 87,2% dos óbitos». Além disso, «custaram o dobro dos episódios sem doenças crónicas complexas (€1467 vs €745) e tiveram uma mortalidade 40 vezes superior (2,4% vs 0,06%)».

Do total, 46,0% foram programados (sem doenças crónicas complexas 23,2%); 64,8% ocorreram em hospitais grupo III – IV (sem doenças crónicas complexas 27,1%). 

Nos episódios com doenças crónicas complexas, a doença maligna foi a categoria mais frequente (23,0%); a maior demora mediana (12 dias, 6 – 41), despesa mediana (€3568,929 – 24 602) e mortalidade (13,4%) verificaram-se na categoria neonatais.

Os internamentos de crianças com doenças crónicas complexas (DCC) em Portugal têm vindo a aumentar, sendo mais prolongados, onerosos e com maior probabilidade de ocorrência de morte do que os restantes, alerta um estudo publicado na Ata Médica Portuguesa 

A equipa de investigadores conclui que em Portugal Continental as crianças medicamente complexas, com necessidades paliativas, «representam uma parte muito importante da atividade e despesa do internamento hospitalar pediátrico», sendo esta «uma noção essencial para o planeamento de cuidados que se desejam eficazes, coordenados e sustentáveis, contribuindo para que os decisores políticos e clínicos possam tomar resoluções informadas e capazes de ir ao encontro das reais necessidades, atuais e futuras, de utentes e profissionais do SNS».

Os autores realçam igualmente que «o desenvolvimento de modelos de cuidados orientados para a criança com DCC e para o bem-estar familiar é uma obrigação atual da Pediatria, sendo imperativa uma reflexão dos responsáveis pelos serviços acerca das necessidades dos seus utentes».

Este trabalho, que pode ser consultado aqui é o primeiro estudo relativo à utilização do internamento hospitalar por crianças com DCC em Portugal Continental e um dos primeiros estudos internacionais a utilizar para este fim a nova versão expandida dos códigos de DCC.

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02 de Agosto de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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