Laboratórios portugueses têm concentrações de formaldeído acima do recomendado

por Teresa Mendes | 08.08.2019

Estudo do Insa revela que profissionais correm «risco de exposição»

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa) que avaliou as concentrações de formaldeído durante cerca de 20 anos (de 1998 a 2017) nos laboratórios de anatomia patológica das regiões do Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo revelou que «existe o risco de exposição a formaldeído no local de trabalho».

«Apesar do conhecimento sobre os efeitos na saúde dos trabalhadores expostos à substância e as medidas técnicas preventivas disponíveis, as condições de manipulação não são adequadas para controlar a contaminação do ar», conclui a investigação do Insa.

Quando analisados os resultados por postos de trabalho verifica-se que «as atividades de macroscopia e afins e as atividades de lavagem, despejos, etc. são as mais críticas, pois em cerca de metades dos postos de trabalho avaliados a concentração determinada no ar é superior ao recomendado», lê-se no trabalho que foi publicado no Boletim Epidemiológico Observações do Insa.

«Apesar do conhecimento sobre os efeitos na saúde dos trabalhadores expostos à substância e as medidas técnicas preventivas disponíveis, as condições de manipulação não são adequadas para controlar a contaminação do ar», conclui a investigação do Insa 

Segundo a investigação, intitulada «Exposição profissional a formaldeído em laboratórios de anatomia patológica», os fatores que contribuem para estes resultados «estão relacionados com a organização do laboratório, a conceção dos locais de trabalho, as salas de trabalho com vários tarefas a decorrer em simultâneo, o circuito das amostras antes e após processamento, a deficiente segregação de resíduos e a má conceção dos sistemas de exaustão localizada».

Os investigadores recordam que o formaldeído é um agente cancerígeno e sensibilizante da pele e sistema respiratório superior, existindo cada vez mais evidências científicas sobre os efeitos na saúde, facto que tem conduzido a uma revisão dos valores limite de exposição recomendados. 

Em 2017 a ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) atualizou estes valores, introduzindo um valor limite 0,1 ppm para exposições de 8 horas, acompanhado de um valor limite de 0,3 ppm para exposições de curta duração (até 15 minutos).

Os autores concluem que devem ser tomadas medidas, entre as quais «a formação e sensibilização dos profissionais, o correcto dimensionamento dos postos de trabalho, meios de extração eficientes e rotinas de trabalho adequadas» para ajudar a reduzir a exposição.

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08 de Agosto de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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