«Estamos a viver a síndrome da avestruz»

12.08.2019

OM alerta para «esforço sobre-humano» dos profissionais das maternidades
A Ordem dos Médicos (OM) alerta que as maternidades portuguesas estão já a ultrapassar a situação limite, com profissionais num «esforço sobre-humano» e a realizarem, num mês, mais de 100 horas de serviço de urgência além do habitual.
O presidente do Conselho Regional Sul (CRS) da OM, Alexandre Valentim Lourenço, avisa que as equipas que trabalham nas maternidades estão esgotadas e que há até médicos a desistir do sistema, como o caso de um diretor de obstetrícia que pediu reforma compulsiva aos 59 anos.

Em entrevista à agência Lusa, esta sexta-feira, o responsável lamentou a ausência de medidas por parte do Ministério da Saúde para resolver os problemas identificados pelos profissionais, sobretudo em relação ao período do verão, depois de em final de junho terem sido apresentadas propostas pela Ordem.

«Estamos a viver a síndrome da avestruz. Pomos a cabeça na areia para fingir que o problema não existe. E o problema está a agravar-se e qualquer dia a avestruz morre. Não se reconhecem os problemas e não se faz esforço.
Não se recompensam os profissionais pelo esforço sobre-humano que fazem», observou o representante da Ordem na região Sul, onde a falta de profissionais nas maternidades é mais sentida.

«Estamos a viver a síndrome da avestruz. Pomos a cabeça na areia para fingir que o problema não existe. E o problema está a agravar-se e qualquer dia a avestruz morre», alerta Alexandre Valentim Lourenço

Para o médico, também ele obstetra, o limite já foi atingido e os profissionais estão «muito cansados». «As equipas não estão completas e o esforço de resolução do problema é feito com muitas horas suplementares. Nos serviços de urgência há médicos a fazer 100 a 130 horas por mês, além das urgências normais no mês de julho», exemplificou.

Alexandre Valentim Lourenço lembra que «equipas muito cansadas» se podem traduzir numa «pior qualidade dos serviços», levando até a aumentar as listas de espera para consultas e cirurgias, porque os médicos têm de estar mais centrados.

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12 de Agosto de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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