Não existe o “gene gay”, diz estudo publicado na revista Science

por Teresa Mendes | 02.09.2019

Os genes não podem ser usados para determinar a orientação sexual
Os genes não podem ser usados para determinar a orientação sexual de um indivíduo, conclui um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, sugerindo que a sexualidade humana é influenciada por uma complexa mistura de fatores genéticos e ambientais.

O estudo, baseado em dados do UK Biobank, da empresa americana 23andMe e do Swedish Twin Registry do Karolinska Institutet, descobriu que «apenas cinco de entre centenas de milhares de variantes genéticas ocorreram com mais frequência em pessoas que tiveram parceiros do mesmo sexo».

Investigações anteriores mostraram que a genética está parcialmente envolvida na orientação sexual, mas nenhuma delas tinha sido capaz de identificar genes envolvidos específicos.
O presente estudo, que envolveu mais de 490.000 participantes, «encontrou cinco variantes genéticas mais comuns em indivíduos que relataram ter tido parceiros sexuais do mesmo sexo».

Segundo um comunicado do Karolinska Institutet, duas das variantes genéticas ocorreram em homens e mulheres, enquanto duas foram identificadas apenas em homens e outra apenas em mulheres, sugerindo que «as preferências sexuais de homens e mulheres são influenciadas por sinais genéticos parcialmente diferentes». 

«O estudo mostra claramente que não existe o chamado “gene gay”, mas, como em muitos comportamentos humanos complexos, há muitas variantes genéticas envolvidas, cada uma com um efeito muito fraco, mas juntas têm um impacto», afirmou Niklas Langström, co-autor sueco e investigador do Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatística do Karolinska Institutet

Ao todo, e de acordo com esta investigação, as variantes genéticas medidas tiveram efeito limitado na preferência sexual, entre 8 a 25%, de acordo com o estudo.
 
Os autores salientam que embora certas variantes genéticas se destaquem no nível do grupo, «a genética não pode ser usada para prever a preferência sexual de um indivíduo», alertando para o facto de que «os diferentes fatores ambientais e socioculturais também desempenham um papel».

«O estudo mostra claramente que não existe o chamado “gene gay”, mas, como em muitos comportamentos humanos complexos, há muitas variantes genéticas envolvidas, cada uma com um efeito muito fraco, mas juntas têm um impacto», afirmou Niklas Langström, co-autor sueco e investigador do Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatística do Karolinska Institutet.

Para ajudar a compartilhar suas descobertas, os autores também criaram um site (www.geneticsexbehavior.info) para o público em geral.

O estudo, intitulado «Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior», está disponível na íntegra aqui.

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02 de Setembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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