Médicos estão a ser «impedidos de proteger a vida dos doentes com cancro»

foto de "DR" | 10.09.2019

OM toma posição oficial e quer ver responsáveis responsabilizados 
O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (OM) denuncia que os clínicos estão a ser «impedidos de proteger a vida dos doentes com cancro» por falta de acesso aos «medicamentos potencialmente inovadores». 

Numa posição oficial, o órgão máximo da Ordem quer mesmo que que sejam diretamente responsabilizados os diferentes peritos envolvidos na cadeia de acesso ao medicamento por decisões erradas que impeçam de «preservar a vida de doentes com cancro».

«Negar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) o acesso dos doentes a medicação com efeito comprovado na diminuição do risco de recidiva ou no aumento da probabilidade de sobrevivência constitui uma situação muito grave, ainda mais quando sabemos que, em muitos casos, a mesma medicação está livremente disponível para uso no setor privado e social», lê-se no documento a que a agência Lusa teve acesso.

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (OM) denuncia que os clínicos estão a ser «impedidos de proteger a vida dos doentes com cancro» por falta de acesso aos «medicamentos potencialmente inovadores» 

Esta tomada de posição, divulgada esta terça-feira, acontece após o Colégio de Especialidade de Oncologia médica ter denunciado situações em que o Infarmed recusou tratamentos contra o cancro, tal como noticiou o jornal Expresso no sábado.

Segundo a OM, existem barreiras e decisões negativas ou empatadas para a aprovação de medicamentos com ação antitumoral que «têm colocado vários doentes em risco de vida e obrigado vários médicos oncologistas a delinearem planos de cuidados diversos dos esperados».

Como barreiras ao acesso a medicamentos «potencialmente inovadores», o documento o identifica as comissões de farmácia e terapêutica hospitalares, a comissão de avaliação de tecnologias da saúde do Infarmed, outros peritos do Infarmed e a própria direção da Autoridade Nacional do Medicamento.

Recorde-se que em declarações no passado sábado à agência Lusa, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, indicou que se tratam de casos de medicamentos que ainda estão em avaliação e sobre os quais os médicos podem pedir acesso através de uma autorização de utilização excecional, sendo que estas autorizações são decididas com base no parecer de peritos médicos, muitos deles oncologistas de hospitais do SNS, incluindo dos Institutos de Oncologia.

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10 de Setembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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