Só os neurónios mais viáveis sobrevivem no desenvolvimento do sistema nervoso

por Teresa Mendes | 17.09.2019

Descoberta derruba teoria neurotrófica anterior
Ao contrário do pensado, não é o acaso que determina quais as células que irão formar o sistema nervoso.
Nos estágios iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso apenas os neurónios mais viáveis sobrevivem, enquanto que os imaturos são eliminados e morrem.
Esta é uma descoberta inovadora dos investigadores do Karolinska Institutet, que deita por terra a teoria neurotrófica actual.

Durante os estágios iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso é gerado um excesso de neurónios, mas sabe-se que uma grande parte dessas células morre, um passo necessário para a formação adequada do sistema nervoso.
O processo demora cerca de 24 horas e em determinada zonas do sistema nervoso desaparece quase metade de todos os neurónios. 

Anteriormente pensava-se que esse fosse um processo aleatório, no qual todas as células tinham probabilidades iguais de sobrevivência.
No entanto, o estudo dos investigadores do Instituto Karolinska, publicado na passada quinta-feira na revista Nature Communications, mostra que «a morte celular parece ser controlada por um mecanismo que elimina as células menos adaptadas».

Nos estágios iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso apenas os neurónios mais viáveis sobrevivem, enquanto que os imaturos são eliminados e morrem. Esta é uma descoberta inovadora dos investigadores do Karolinska Institutet, que deita por terra a teoria neurotrófica atual 

«As células que sobrevivem são mais maduras e viváveis a formar sinapses com outras células nervosas», diz num comunicado Saida Hadjab, que coordenou o estudo, juntamente com François Lallemend, ambos investigadores do Departamento de Neurociência do Karolinska Institutet.

Há vários anos, Hadjab e Lallemend observaram que os primeiros neurónios são diferentes. Na sua superfície estão recetores de fatores de crescimento que estimulam a sua sobrevivência. Hadjab e Lallemend descobriram que certos neurónios tinham mais quantidade desses recetores do que outros.

Ou seja, «começaram a suspeitar que a morte celular é de alguma forma controlada, de modo a que apenas certas células selecionadas sobrevivam».

O estudo atual foi realizado em ratos, tendo os cientistas descoberto dois padrões moleculares distintos que determinam o destino dessas células: As células que são mais capazes de crescer e formar conexões com outros neurónios sobrevivem, enquanto as células mais imaturas morrem.

Segundo os autores, esta descoberta pode ser «potencialmente significativa» para o tratamento de diferentes doenças neurológicas, nomeadamente no caso da doença de Parkinson.

O trabalho foi realizado em colaboração com outros investigadores do Instituto Karolinska, bem como investigadores da Universidade de Estrasburgo, da Universidade de Côte d'Azur, do Instituto Pasteur, da Universidade de Medicina de Viena, do IBDM em Marselha e da EPFL em Lausanne.

«A cell fitness selection model for neuronal survival during development» é o título do trabalho que pode ser consultado na íntegra aqui.

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17 de Setembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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