Falta de medicamentos: Doentes alertam para «realidade assustadora»

18.09.2019

Setenta associações de doentes enviaram uma carta ao Infarmed
Setenta associações de doentes enviaram uma carta ao Infarmed a alertar para a «realidade assustadora» de doentes cujo estado de saúde se tem «agravado» devido à falta de medicamentos nas farmácias e à não aprovação de fármacos inovadores.
A Autoridade Nacional do Medicamentos já agendou uma reunião com as associações.

Na carta enviada esta terça-feira, as entidades, que integram a Convenção Nacional de Saúde, destacam, em especial, os medicamentos para o cancro, lamentando a demora na aprovação de medicamentos inovadores.

As associações, que pediram uma reunião urgente ao Infarmed, sublinham que consideram «inconstitucional qualquer barreira ou limitação no acesso a tratamentos», noticia a agência de notícias Lusa.
Entretanto, a Autoridade Nacional do Medicamento afirmou que recebeu a carta e que já agendou uma reunião com estas associações.

Setenta associações de doentes enviaram uma carta ao Infarmed a alertar para a «realidade assustadora» de doentes cujo estado de saúde se tem «agravado» devido à falta de medicamentos nas farmácias e à não aprovação de fármacos inovadores 

Na missiva, as associações referem que têm sido contactadas nos últimos dias por «vários doentes preocupados com o agravar do seu estado de saúde», apontando a falta de medicamentos nas farmácias e também barreiras no acesso à fármacos inovadores por falta de aprovação ou autorização do Infarmed.

«As dificuldades nos acessos aos medicamentos têm-se notado bastante nos últimos meses e a denúncia do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos foi fulminante», explica Tamara Milagre, presidente da Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário (EVITA), uma das organizações que assinam a carta.

«As associações começaram a receber contactos de pessoas muito preocupadas, porque o atraso no tratamento em Oncologia pode ser fatal», diz a responsável.

«A negação de um medicamento inovador que pode curar a doença numa fase precoce é um contrassenso. Vai sair muito mais caro ao Serviço Nacional de Saúde quando a doença evoluir e o cancro se tornar metastático», frisa Tamara Milagre, em entrevista ao SAPO. 

No entanto, Tamara Milagre esclarece que os doentes com doença avançada que já estão a fazer tratamentos com medicamentos inovadores não ficam sem acesso aos fármacos. «O que está aqui em causa é que está a ser negado aos doentes em fase precoce o acesso a estes medicamentos inovadores», informa.

Entretanto, a ministra da Saúde disse esta terça-feira, em Coimbra, no final da cerimónia de comemoração dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em Coimbra, que o seu ministério está «empenhadíssimo» em contrariar a falta de medicamentos nas farmácias portuguesas. 

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18 de Setembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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