Profissionais estão «desmotivados e a deixar de acreditar» no modelo USF

por Teresa Mendes | 02.10.2019

USF-AN envia carta aberta aos ministros das finanças e da saúde
A Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) enviou esta terça-feira, aos ministros das Finanças e da Saúde, uma carta aberta, que alerta para a «falta de financiamento na reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP)», e mais concretamente para a «falta de aposta no modelo USF».

Na missiva, da qual também foi dado conhecimento às ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, sindicatos profissionais e partidos políticos com capacidade para eleger deputados nas Legislativas 2019, aquela Associação destaca que a falta de financiamento nestes últimos anos tem sido uma constante, «assumindo-se de várias formas».

A não criação de USF de modelo B durante o ano de 2017 é um dos exemplos dados, mas não só. «Em 2018, várias USF ficaram a aguardar a sua progressão, apesar dos pareceres técnicos estarem conforme o exigido, devido à existência de cotas, as quais pretendemos que sejam abolidas», lê-se na carta aberta. 

Os profissionais, confrontados com a desigualdade salarial entre equipas que têm o mesmo desempenho, «começam a ficar desmotivados e a deixar de acreditar nesta forma única de organização, desempenho e discriminação positiva», lê-se na missiva 

Por fim, este ano, «os ministérios da Saúde e Finanças definiram que apenas após avaliação favorável das USF modelo B, 20 USF modelo A poderiam transitar para modelo B, durante o último trimestre de 2019».

Segundo informações do Ministério da Saúde, a citada avaliação já existe, contudo «não se conhecem os resultados e relatório da mesma, dada a sua complexidade, que, nesta fase, ainda se encontra em análise».

«Estes factos e atrasos comprometem seriamente a reforma dos CSP, bem como a atribuição de médicos de família a todos os portugueses. Para além disto, esta situação prejudica fortemente as equipas com parecer técnico favorável à evolução para modelo B», avisa a USF-AN. 

Também os profissionais, confrontados com a desigualdade salarial entre equipas que têm o mesmo desempenho, «começam a ficar desmotivados e a deixar de acreditar nesta forma única de organização, desempenho e discriminação positiva», lê-se na missiva, que apela ao atual Governo «tenha em conta os ganhos em saúde que as USF trazem para o SNS e para os cidadãos, criando condições para se evoluir para a cobertura nacional em USF de modelo B».

A carta aberta está disponível na íntegra aqui.

19tm40i
02 de Outubro de 2019
1940Pub4f19tm40i

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 13.12.2019

 «Assistimos hoje ao assassinato premeditado do modelo USF»

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) decidiu abandonar as reuniões da Comissão Técnica Naciona...

por Teresa Mendes | 13.12.2019

 «Premium Cataract Surgery 2020» debate técnicas cirúrgicas inovadoras

A Universidade do Minho organiza, no próximo dia 18 de janeiro de 2020, a conferência «Premium Catar...

13.12.2019

 Tecnologia criada no Porto ajuda médicos a identificar nódulos pulmonares

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TE...

por Teresa Mendes | 13.12.2019

 Marta Temido anuncia reforço de 800 milhões de euros para a Saúde em 2020

Foram várias as entidades que se congratularam publicamente pelo reforço de verbas para o Serviço Na...

por Teresa Mendes | 13.12.2019

55% dos doentes com doença crónica tem baixos níveis de literacia em saúde

«55% da população com doença crónica tem níveis inadequados de literacia em saúde», uma situação que...

por Teresa Mendes | 13.12.2019

Lançado Instituto Virtual de Fibromialgia

Foi lançado o Instituto Virtual de Fibromialgia, MyFibromyalgia®, uma ferramenta de intervenção clín...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.