Dia Mundial da Urticária

por Célia Costa | 03.10.2019

Dia Mundial da Urticária – 1 de outubro 
Opinião de Célia Costa 

A urticária afeta 15% a 25% da população em geral, pelo menos uma vez na vida, o que quer dizer que um em cada 4 a 5 portugueses vai sofrer pelo menos um episódio de urticária ao longo da sua vida(1).
Embora a urticária seja uma doença comum, continua a ser sub-diagnosticada e subvalorizada pelos clínicos e pela população em geral(2). 

O diagnóstico de urticária é clínico(1). Caracteriza-se por lesões cutâneas do tipo manchas ou pápulas (manchas com relevo) avermelhadas, acompanhadas de prurido intenso (muita comichão) que desaparecem em menos de 24 horas, mas que surgem noutro local da pele(1). 

Na minha prática clínica, verifico que envolvem sobretudo as extremidades e o tronco mas podem aparecer em qualquer parte do corpo(1). As manchas/pápulas podem ou não ser acompanhadas de angioedema, ou seja, inchaço que ocorre sobretudo nas camadas da pele mais profundas ou nas mucosas (lábios, língua, genitais) em que as lesões têm pouco ou nenhuma comichão e são dolorosas ou com sensação de queimadura, sendo a sua resolução mais lenta e que pode durar até 72 horas(3). 

A urticária define-se como aguda ou crónica, se a duração for inferior ou superior a 6 semanas, respetivamente(3).
Cerca de 1% da população sofre de urticária crónica (UC), que afeta sobretudo o género feminino e a 4ª década de vida mas pode aparecer em qualquer idade, incluindo na criança, tendo uma duração média de 1 a 5 anos(3). Contudo, em 20% dos casos prolonga-se durante mais de 10 anos(3). 

A UC subdivide-se em espontânea (UCE) ou indutível (UCInd), consoante os sintomas ocorram espontaneamente ou em resposta a estímulos específicos (pressão, frio, calor, etc.), mas na maioria dos doentes coexiste mais do que um tipo de UC(3). 

Embora dois terços dos casos de UC sejam UCE, devem ser identificados potenciais fatores de agravamento (doenças autoimunes, infeções crónicas, etc), que, uma vez controlados ou evitados, podem contribuir para a melhoria da urticária(4).

Os doentes com UC não controlada têm uma diminuição significativa da qualidade de vida devido aos seus sintomas, potencialmente incapacitantes, que podem persistir por vários anos, e condicionam vários aspetos da vida diária, a nível físico, emocional, social e económico, com consideráveis custos de saúde, diretos e indiretos(1).

Estes doentes recorrem com muita frequência a Consultas e Serviços de Urgência, na tentativa de encontrarem alívio para o sofrimento que está associado a uma doença crónica, na maioria dos casos sem uma causa possível de identificar e nem sempre valorizada pelo médico(1,2).

Esta patologia afeta a imagem devido às lesões na pele e o desconhecimento da população em geral desta doença leva-a a ser considerada contagiosa.
Esta situação provoca isolamento do doente e desencadeia sentimentos como vergonha e medo de se expor aos outros(1,5).

 Na minha prática clínica, verifico que o impacto da doença faz com que um doente com urticária se prive de viver um dia a dia normal, evitando constantemente o uso de roupas normais e típicas da estação, de conviver e sair para a rua, de ir à praia e até de ir para o seu local de trabalho(1).

Mas a urticária tem tratamento e, independentemente da causa, o seu objetivo é alcançar o controlo total e rápido dos sintomas com recurso a medicamentos eficazes e seguros, numa escalada terapêutica progressiva de acordo com recomendações nacionais sobre a abordagem diagnóstica e terapêutica da urticária em Portugal, publicadas pelo Grupo Português de Estudos de Urticária (GPEU), e internacionais(4,6).

Por todos estes motivos, é tão importante contribuir para o aumento da divulgação e informação correta e credível em torno do tema da urticária!

O dia 1 de Outubro é o Dia Mundial da Urticária. E qual a sua importância? A quem importa (who cares?) UCARE! UCARE é uma rede mundial de centros especializados no tratamento da Urticária (Urticaria Centers of Reference and Excellence) em que os médicos de vários países do Mundo, incluindo Portugal, trabalham em rede e, além de terem um grande conhecimento da Urticária, têm por objetivo dar o melhor apoio e tratamento aos doentes com Urticária(7).

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  Referências:
1.    Costa, C. et al. Doente com urticária crónica: diagnosticar e tratar melhor, Postgraduate Medicine, Vol. 45(1):1-8;
2.    Costa C, et al. AWARE baseline characteristics of Portuguese patients, Acta Med Port 2019 Feb;32(2):133-140;
3.    Costa C, et al. Urticária Crónica – Do diagnóstico ao tratamento, Revista SPDV 2016, 74(4): 315-325;
4.    Costa C, et al, Abordagem Diagnóstica e Terapêutica da Urticária Crónica Espontânea: Recomendações em Portugal  Acta Med Port 2016 Nov;29(11):763-781;
5.    Yadav S, et al, Management of Difficult Urticaria, Indian J Dermatol. 2009 Jul‐Sep; 54(3): 275–279.
6.    Zuberbier et al. Guidelines EAACI/GA2LEN/EDF/WAO para definição, classificação. Diagnóstico e gestão da urticária, revisão de 2017, Allergy 2018 Jul 73(7):1393:141
7.    UCARE Centers, disponível em https://www.ga2len-ucare.com/centers.html, acedido a 28/09/2019.
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*Assistente Hospitalar Graduada de Imunoalergologia,
Coordenadora da Unidade de Urticária e da Unidade de Alergia Alimentar
Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Santa Maria, CHLN, EPE.
Membro do Centro Internacional de Excelência e Referência de Urticária (UCARE) e
Cofundadora do Grupo Português de Estudos de Urticária (GPEU)
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1940Pub5f19JMA40A

XOLU32/09/2019

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