Baixa inteligência relacionada com risco de suicídio mais tarde na vida

por Teresa Mendes | 10.10.2019

Pessoas com QI baixo apresentam risco de suicídio seis vezes maior 
Os jovens com baixo quociente de inteligência correm um maior risco de suicídio e tentativa de suicídio mais tarde na vida.
Pelo menos é o que demonstra um novo estudo do Karolinska Institutet, que acompanhou quase 50 mil homens suecos durante 38 anos (desde a década de 1970 até 2008).

Segundo a investigação, intitulada «How intelligence and emotional control are related to suicidal behavior across the life course», publicada na revista Psychological Medicine, no passado dia 3 de outubro, o risco de suicídio permaneceu elevado até mais tarde na vida daqueles que apresentaram um baixo quociente de inteligência (QI) medido na juventude.

No entanto, a mesma relação negativa estável não se verificou naqueles que foram considerados como tendo baixo controle emocional na juventude. Nesses indivíduos, o risco de suicídio diminuiu com o tempo.

«Isso cria uma certa esperança e também apoia a descrição do suicídio como uma solução permanente para um problema temporário», diz Alma Sörberg Wallin, psicóloga e gestoras de projetos do Departamento de Ciências de Saúde Pública e uma das principais autoras do estudo, num comunicado divulgado hoje pelo Karolinska Institutet.

Para comparar a inteligência e o controle emocional com o comportamento suicida, os investigadores dividiram os homens numa escala de cinco graus, onde o nível mais baixo correspondeu a um QI abaixo de 82 e o mais alto, acima de 126.

O controle emocional dos homens foi também medido numa escala de cinco graus, onde o nível 1 correspondendo a controle emocional muito baixo e nível 5 controle emocional muito alto. 

Foram usadas certidões de óbito para identificar suicídios e tentativas de suicídio entre 1973-2008.

Segundo os autores, «os homens com o QI mais baixo apresentaram seis vezes mais possibilidades de tentar o suicídio ou mesmo de morrer devido ao suicídio do que aqueles com um QI mais elevado.
Já os homens com menos controle emocional apresentaram um risco quase sete vezes maior do que os homens com maior controle emocional.

Contudo, para os homens com baixo QI, a forte relação com o suicídio persistiu ao longo do tempo, enquanto que os homens com baixo controle emocional na juventude foram menos propensos a tirar ou tentar tirar a vida à medida que envelheciam».

Os jovens com baixo quociente de inteligência correm um maior risco de suicídio e tentativa de suicídio mais tarde na vida. Pelo menos é o que demonstra um novo estudo do Karolinska Institutet, que acompanhou quase 50 mil homens suecos durante 38 anos 

De acordo com os autores, os mecanismos por trás desta relação não são totalmente conhecidos, «mas é sabido que as pessoas com menor inteligência geralmente enfrentam desafios socioeconómicos mais tarde na vida», o que destaca a «necessidade de apoio e esforços preventivos por parte da sociedade».

«Ninguém deve acabar em uma situação tão vulnerável que a única saída é vista como suicídio», salienta Nora Hansson Bittár, estudante de Psicologia e primeira autora do estudo.
    
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09 de Outubro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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