Fecho da urgência pediátrica do Garcia de Orta é reflexo da falência do Estado

14.10.2019

«É inaceitável que a situação não tenha sido ainda resolvida», diz bastonário
O bastonário da Ordem dos Médicos diz que o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta por falta de condições mínimas de segurança na noite de sábado representou uma «falência do Ministério da Saúde e do Estado», que está há meses sem resolver a situação.

Em declarações à agência Lusa esta segunda-feira, o bastonário Miguel Guimarães disse que vai escrever à ministra da Saúde a alertar novamente para a «grave carência» de pediatras no Hospital Garcia de Orta, em Almada, lembrando que se algum acidente acontecer naquele serviço de urgência terá de ser o Ministério da Saúde a assumir responsabilidades.

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta por falta de condições mínimas de segurança na noite de sábado representou uma «falência do Ministério da Saúde e do Estado», que está há meses sem resolver a situação 

Miguel Guimarães adiantou ainda que vai dar conhecimento da carta enviada ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, «para que em ninguém fiquem dúvidas do que se está a passar no Garcia de Orta».

A Ordem vai ainda preparar uma carta para enviar a todos os diretores clínicos do país, de hospitais públicos e privados, a avisar para a importância de respeitarem as equipas tipo estabelecidas nos serviços, sendo este um dos problemas da Pediatria do Garcia de Orta.

«Esta será uma carta aberta, a alertar os diretores clínicos [que são médicos] para que têm de respeitar a constituição das equipas tipo, lembrando que podem ter responsabilidades disciplinares nesta matéria, porque a falha das equipas tipo pode diminuir a segurança clínica», explicou Miguel Guimarães à Lusa.

O bastonário acrescentou também que vai criar um novo documento de «declaração de responsabilidade», que os médicos devem assinar quando entendem não estarem asseguradas as condições dos seus serviços.

O dirigente pretende que esses documentos lhe sejam enviados diretamente e que possam servir para «assacar responsabilidades políticas» pelas insuficiências de meios nos serviços de saúde.

Sobre a urgência pediátrica do Garcia de Orta, o bastonário entende que «é inaceitável e incompreensível que a situação não tenha sido ainda resolvida», recordando que os médicos andam desde o ano passado a chamar a atenção para a falta de médicos. Sublinha ainda que este serviço recebe cerca de 150 crianças por dia e que chega a ser assegurado por um médico especialista e um médico interno (em formação de especialidade).

Miguel Guimarães recorda que chegou a apresentar uma participação à Inspeção-geral das Atividades em Saúde sobre a situação, já há meio ano, a pedir que fosse investigada a composição das equipas da urgência pediátrica do hospital em Almada.

Até ao momento, o bastonário disse não ter obtido resposta e, do que sabe, a IGAS ainda não apresentou qualquer resultado de uma investigação sobre o assunto.

Num recado ao poder político, Guimarães sublinha que a Ordem «não aceita que os médicos continuem a ser escravizados e a servir de bode expiatório do sistema», lamentando medidas para reter clínicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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14 de Outubro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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