Médicos contestam manutenção de Marta Temido na pasta da Saúde
por Teresa Mendes | 16.10.2019
Para o bastonário, a ministra da Saúde «nada fez de significativo»
Após um ano marcado pela contestação, Marta Temido vê o seu mandato como ministra da Saúde renovado no novo Governo. Os sindicatos médicos saudaram a decisão de António Costa, mas a Ordem dos Médicos (OM) lamentou a continuação da ministra.
O bastonário da OM, Miguel Guimarães, considerou, esta terça-feira, em declarações à Lusa, que o primeiro-ministro «não está a saber aproveitar a nova oportunidade que os portugueses lhe deram ao manter os dois principais responsáveis pelo estado da saúde em Portugal, os ministros das Finanças, Mário Centeno, e da Saúde, Marta Temido».
«Não sei se esta escolha do primeiro-ministro é para ter um Serviço Nacional de Saúde mais forte ou para continuar a ser as Finanças a dominar sobre a saúde dos portugueses. Creio que é a segunda hipótese», afirmou Miguel Guimarães. Na opinião do bastonário, a ministra da Saúde «nada fez de significativo».
Após um ano marcado pela contestação, Marta Temido vê o seu mandato como ministra da Saúde renovado no novo Governo. Os sindicatos médicos saudaram a decisão de António Costa, mas a Ordem dos Médicos (OM) lamentou a continuação da ministra
Já o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) saudou, num comunicado, o primeiro-ministro pela sua indigitação e pela recondução de Marta Temido como ministra da Saúde, manifestando «total disponibilidade» para «fortalecer e salvar» o SNS, apelando a que «se iniciem urgentemente negociações com os médicos».
Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) espera que Marta Temido tenha «mais poderes» para conseguir negociar «coisas mais importantes» para a carreira médica e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
«A Fnam tem tido uma relação cordial com a Dra. Marta Temido e só esperamos que ela tenha muito mais poder do que tem tido para reverter o que se passa não só em relação à carreira médica como em relação ao SNS», disse à agência Lusa João Proença.
Ministra tinha tomado posse há precisamente um ano
Recorde-se que Marta Temido chegou ao Governo há precisamente um ano, com a saída de Adalberto Campos Fernandes, que foi substituído pelo chefe do Governo logo após a reunião de Conselho de Ministros em que foi aprovado o Orçamento do Estado para este ano.
O mandato de um ano de Marta Temido foi muito marcado por conflitos com representantes dos profissionais de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros.
Pouco tempo após ter tomado posse, começou a greve prolongada dos enfermeiros em blocos operatórios, o que leva o Governo a decretar uma requisição civil.
Em relação à Ordem dos Enfermeiros, as relações institucionais chegaram a estar cortadas e Marta Temido acabou mesmo por pedir uma sindicância à Ordem, desencadeada pela Inspeção-geral das Atividades em Saúde.
Além de duas greves cirúrgicas de enfermeiros, a ministra lidou ainda com uma greve nacional de médicos de dois dias.
O anterior mandato de Marta Temido foi ainda marcado pela aprovação de uma nova Lei de Bases da Saúde, depois de a ministra ter decidido rever o documento a enviar ao Parlamento, refazendo a proposta do seu antecessor.
XXII Governo Constitucional
O XXII Governo Constitucional apresentado por António Costa ao Presidente da República vai ter como ministros de Estado Pedro Siza Vieira, Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva e Mário Centeno.
A existência de quatro ministros de Estado é uma das principais novidades face ao Governo anterior, uma opção que, fonte oficial do Executivo, justifica como «um reforço do núcleo central» do Executivo.
Catorze ministros mantêm-se à frente das mesmas pastas, existindo cinco novos ministros, o que, representa um sinal de «estabilidade e de continuidade» em relação ao anterior elenco governamental, destaca um comunicado.
Todas as informações sobre a constituição do novo Governo disponíveis aqui.
19tm42i
16 de Outubro de 2019
1942Pub4f19tm42i
Publicada originalmente em www.univadis.pt
O bastonário da OM, Miguel Guimarães, considerou, esta terça-feira, em declarações à Lusa, que o primeiro-ministro «não está a saber aproveitar a nova oportunidade que os portugueses lhe deram ao manter os dois principais responsáveis pelo estado da saúde em Portugal, os ministros das Finanças, Mário Centeno, e da Saúde, Marta Temido».
«Não sei se esta escolha do primeiro-ministro é para ter um Serviço Nacional de Saúde mais forte ou para continuar a ser as Finanças a dominar sobre a saúde dos portugueses. Creio que é a segunda hipótese», afirmou Miguel Guimarães. Na opinião do bastonário, a ministra da Saúde «nada fez de significativo».
Após um ano marcado pela contestação, Marta Temido vê o seu mandato como ministra da Saúde renovado no novo Governo. Os sindicatos médicos saudaram a decisão de António Costa, mas a Ordem dos Médicos (OM) lamentou a continuação da ministra
Já o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) saudou, num comunicado, o primeiro-ministro pela sua indigitação e pela recondução de Marta Temido como ministra da Saúde, manifestando «total disponibilidade» para «fortalecer e salvar» o SNS, apelando a que «se iniciem urgentemente negociações com os médicos».
Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) espera que Marta Temido tenha «mais poderes» para conseguir negociar «coisas mais importantes» para a carreira médica e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
«A Fnam tem tido uma relação cordial com a Dra. Marta Temido e só esperamos que ela tenha muito mais poder do que tem tido para reverter o que se passa não só em relação à carreira médica como em relação ao SNS», disse à agência Lusa João Proença.
Ministra tinha tomado posse há precisamente um ano
Recorde-se que Marta Temido chegou ao Governo há precisamente um ano, com a saída de Adalberto Campos Fernandes, que foi substituído pelo chefe do Governo logo após a reunião de Conselho de Ministros em que foi aprovado o Orçamento do Estado para este ano.
O mandato de um ano de Marta Temido foi muito marcado por conflitos com representantes dos profissionais de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros.
Pouco tempo após ter tomado posse, começou a greve prolongada dos enfermeiros em blocos operatórios, o que leva o Governo a decretar uma requisição civil.
Em relação à Ordem dos Enfermeiros, as relações institucionais chegaram a estar cortadas e Marta Temido acabou mesmo por pedir uma sindicância à Ordem, desencadeada pela Inspeção-geral das Atividades em Saúde.
Além de duas greves cirúrgicas de enfermeiros, a ministra lidou ainda com uma greve nacional de médicos de dois dias.
O anterior mandato de Marta Temido foi ainda marcado pela aprovação de uma nova Lei de Bases da Saúde, depois de a ministra ter decidido rever o documento a enviar ao Parlamento, refazendo a proposta do seu antecessor.
XXII Governo Constitucional
O XXII Governo Constitucional apresentado por António Costa ao Presidente da República vai ter como ministros de Estado Pedro Siza Vieira, Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva e Mário Centeno.
A existência de quatro ministros de Estado é uma das principais novidades face ao Governo anterior, uma opção que, fonte oficial do Executivo, justifica como «um reforço do núcleo central» do Executivo.
Catorze ministros mantêm-se à frente das mesmas pastas, existindo cinco novos ministros, o que, representa um sinal de «estabilidade e de continuidade» em relação ao anterior elenco governamental, destaca um comunicado.
Todas as informações sobre a constituição do novo Governo disponíveis aqui.
19tm42i
16 de Outubro de 2019
1942Pub4f19tm42i
Publicada originalmente em www.univadis.pt
Médicos contestam manutenção de Marta Temido na pasta da Saúde