Portugal é o décimo país com a taxa de resistência à claritromicina mais elevada

por Teresa Mendes | 21.10.2019

Resistência a antibiótico contra bactéria Helicobacter pylori duplica na Europa
A resistência a um dos antibióticos mais comuns para o tratamento da infeção pela bactéria Helicobacter pylori, que se aloja no estômago, duplicou em 20 anos na Europa, mostra um estudo apresentado este domingo, em Barcelona, Espanha, no 27.º congresso da União Europeia de Gastroenterologia.

Os resultados divulgados hoje num comunicado revelam que a resistência a este antibiótico, usado num tratamento de «primeira linha» para erradicar a bactéria Helicobacter pylori, aumentou de 9,9%, em 1998, para 21,6%, em 2018, com aumentos de resistência também observados para levofloxacina e metronidazol.


O trabalho que reuniu dados de 1232 doentes de 18 países europeus, coloca Portugal no 10.º lugar dos países com a taxa de resistência ao antibiótico claritromicina mais elevada, na ordem dos 20% em 2018, último ano analisado.

Além de Portugal, participaram no estudo Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Holanda, Noruega, Polónia, Eslovénia, Itália e Espanha. 

Os países com a maior taxa de resistência à claritromicina são a Itália, a Croácia e a Grécia, com taxas entre 30% e 36,9%.

«A infeção por Helicobacter pylori é, por si só, uma condição complexa de tratar, exigindo uma combinação de medicamentos.
Agora, com as taxas de resistência a antibióticos comumente usados, como a claritromicina, a aumentarem a uma taxa alarmante de quase 1% ao ano, as opções de tratamento vão tornar-se progressivamente limitadas e ineficazes se novas estratégias de tratamento não se desenvolverem entretanto», alerta Francis Megraud, o investigador principal do estudo, no comunicado à Imprensa.

A resistência a um dos antibióticos mais comuns para o tratamento da infeção pela bactéria Helicobacter pylori, que se aloja no estômago, duplicou em 20 anos na Europa, mostra um estudo apresentado este domingo, em Espanha, no 27.º congresso da União Europeia de Gastroenterologia 

O autor lembra ainda que «se a resistência aos medicamentos continuar a aumentar a este ritmo pode favorecer as elevadas taxas de incidência do cancro gástrico e outras condições, como a úlcera péptica». 

«Os resultados deste estudo são certamente preocupantes, pois a Helicobacter pylori é a principal causa de doença péptica e cancro gástrico», comentou também Mário Dinis-Ribeiro, presidente da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal, acrescentando que «a crescente resistência da bactéria a vários antibióticos comumente usados pode comprometer as estratégias de prevenção».

O comunicado pode ser consultado aqui.

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21 de Outubro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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