Apoio familiar a mulheres com cancro da mama metastático é vital

por Ana Joaquim | 24.10.2019

Dia Nacional do Cancro da Mama assinala-se a 30 de outubro
 
Artigo de Ana Joaquim 

Já é sobejamente conhecido que o cancro da mama é uma doença frequente na mulher.
Basta pensarmos que uma em cada 8 a 10 mulheres terá o diagnóstico de cancro da mama ao longo da sua vida.
Em Portugal, em 2018, foram diagnosticados 6974 novos casos de cancro da mama (fonte Globocan 2018).

Apesar de ser uma doença com elevada probabilidade de remissão, até 30% dos casos tratados com intuito curativo irão recidivar no decurso da vida da mulher sobrevivente de cancro.

Estes são a grande maioria dos casos de cancro da mama dito avançado, aqui definido como aquele que não é passível de tratamento curativo.

Existe ainda uma minoria de casos, mais propriamente 10% dos casos de cancro da mama avançado, que, quando são diagnosticados, são-no em fase avançada.

O facto de o cancro da mama avançado não ter cura implica que a pessoa que tem este diagnóstico viverá com o mesmo até morrer.
Quando este tempo é prolongado, falamos de uma doença crónica.

Passa-se o mesmo com as doenças crónicas mais prevalentes, de que são exemplo a diabetes, a hipertensão arterial ou a osteoartrose.

O tratamento por equipas dedicadas e especializadas, bem como o acesso à inovação de acordo com as guidelines nacionais e internacionais, constituem os principais fatores de sucesso da abordagem do cancro da mama avançado.

Esta é uma doença muito heterogénea. Hoje em dia os tratamentos de primeira linha dos subtipos mais frequentes desta doença permitem, pelo menos a estabilização da doença, em cerca de 2 anos.

Se recuarmos 10 anos, falávamos em menos de um ano de tempo de resposta.
Por outro lado, quando a doença progride à primeira linha de tratamento, a investigação permitiu que existam várias outras linhas de tratamento com eficácia comprovada, sendo a sequenciação um grande desafio para a comunidade médica.

Também em termos de tipo de tratamento se tem evoluído no sentido de acompanhar a necessidade de manutenção de uma boa qualidade de vida.
É muito importante que o tratamento do cancro da mama avançado, enquanto doença crónica, permita que a sobrevivente consiga manter a qualidade e estilo de vida habituais.

À semelhança de outras doenças crónicas, no cancro da mama avançado o apoio da família é fundamental, para dar conforto e inspirar a confiança da sobrevivente.

Adicionalmente, o apoio representa um fator motivador para continuação dos tratamentos.

Os novos casos de doença avançada atingem, frequentemente, mulheres entre os 45 e os 55 anos de idade, altura em que a maioria tem uma vida ativa e manifesta vontade de manutenção no mercado de trabalho e participação na vida familiar durante e após os tratamentos.

Para muitas doentes, o regresso ao trabalho com sucesso significa levar uma vida normal, mas nem sempre é simples. Neste contexto, as pessoas deparam-se com novos desafios como a falta de segurança no emprego ou dificuldade em cumprir com compromissos contratuais pois o portador de uma doença crónica está continuamente em tratamento e oscila na forma como se sente.

Seria importante existir a oportunidade de criação de horários e condições de trabalho adaptadas, como por exemplo trabalhar alguns dias a partir de casa.
 
Também na doença avançada, é importante a promoção de estilos de vida saudáveis, como uma dieta equilibrada, uma vida física e cognitivamente ativa e a prática regular de exercício físico.

Para além dos benefícios conhecidos, esta é uma forma de relativizar a preocupação com a doença oncológica. Novamente, o papel da família é essencial.

As tendências atuais apresentam progressos conseguidos no desenvolvimento de novas opções de tratamento, apontam para um futuro onde cada vez mais sobreviventes com cancro da mama metastático tenham uma vida mais longa e com melhor qualidade de vida.

Cabe-nos a nós todos, enquanto sociedade, acompanhando estes progressos, saber acolher e integrar as sobreviventes.

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*Oncologista, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e coordenadora do programa MAMA_MOVE Gaia

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