Médicos de MGF recusam ser «enxovalhados» pelos pediatras

por Teresa Mendes | 31.10.2019

Comunicado da Direção Nacional da APMGF 
A Direção Nacional da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) diz, num comunicado, divulgado esta quarta-feira, não poder aceitar que a especialidade de MGF seja «enxovalhada» e «se lancem inverdades sobre as competências dos médicos de família e se procurem aligeirar responsabilidades».
 
Em causa um artigo de opinião publicado no mesmo dia no Jornal Público, intitulado «Urgências de Pediatria – porque estão em colapso?» da autoria de especialistas em Pediatria, membros do Colégio da Ordem dos Médicos.

Segundo a APMGF, o texto «incorre em lamentáveis erros de análise sobre a atual conjuntura de atendimento em serviços de urgência pediátrica e lesa – pelas acusações e avaliações sem fundamento – a imagem pública de competência e de qualidade de serviço dos especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF)».

«Encaramos como legítimas, até positivas, as pretensões dos colegas pediatras de proporcionar cuidados de Pediatria por pediatras nos centros de saúde, o que não podemos aceitar é que na defesa de tal ideia se enxovalhe outra especialidade médica, a MGF»

No referido artigo, os pediatras referem que «todos reconhecem que os médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) são profissionais competentes, mas a sua formação pediátrica consiste em dois meses, claramente insuficiente para dominarem com segurança todas as vertentes do crescimento normal e da avaliação da doença aguda e crónica».

Contudo, alega a APMGF, «esta afirmação é uma falsidade», uma vez que «o programa de formação dos médicos de família decorre em quatro anos de internato médico e é nos centros de saúde que são seguidas as crianças e jovens saudáveis e doentes».

«Justifica-se assim que os médicos internos de Pediatria venham, e muito bem, fazer seis meses de estágio nas nossas unidades de saúde, onde são orientados por médicos de família», acrescenta o comunicado, informando ainda que «a formação dos médicos internos de Medicina familiar realizada nos serviços hospitalares é complementar e inclui formação obrigatória em situações de urgência e emergência na área de pediatria».

Sobre o facto de o artigo dizer que «o exercício de funções com limitada formação ou creditação cria riscos, como recentemente se viu noutro caso mediático», a direção da Associação lamenta que se esteja a procurar «confundir a opinião pública e colar a especialidade de MGF a recentes episódios de presumível erro médico, quando nenhum médico de família esteve envolvido, direta ou indiretamente, nos casos a que aludem».

«Encaramos como legítimas, até positivas, as pretensões dos colegas pediatras de “proporcionar cuidados de Pediatria por pediatras nos centros de saúde”, em sequência de promessas eleitorais feitas num passado recente, o que não podemos aceitar é que na defesa de tal ideia se enxovalhe outra especialidade médica, a MGF, se lancem inverdades sobre as competências dos médicos de família e se procurem aligeirar responsabilidades», conclui o comunicado, acrescentando que a Direção da APMGF já solicitou um esclarecimento ao bastonário da Ordem dos Médicos, «a bem da tranquilidade da comunidade e do trabalho de cooperação profissional».

O comunicado completo pode se acedido aqui.

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29 de Outubro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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