Conselho Nacional da OM reafirma a sua confiança nos médicos de família

por Teresa Mendes | 05.11.2019

Associação Nacional das USF «lamenta as palavras proferidas» 
 O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (OM) enviou esta quarta-feira uma nota informativa aos médicos inscritos na Ordem, na qual se distancia do artigo publicado no Jornal Público, assinado por vários elementos da Direção do Colégio de Pediatria da OM, texto esse que lançava dúvidas sobre as competências dos médicos de família para atendimento da população em idade pediátrica. 

«O artigo de opinião divulgado na edição de hoje, 30 de outubro, do jornal Público, assinado por um conjunto de médicos especialistas em Pediatria e membros da direção do Colégio desta Especialidade, não corresponde a uma posição da Ordem dos Médicos.
Tal artigo constitui apenas a opinião dos médicos que o emitem e não reflete a posição do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (CNOM), nomeadamente quando desprestigia uma Especialidade que é fundamental na prestação dos cuidados de saúde em Portugal, a Medicina Geral e Familiar, cuja competência e qualidade de formação são inquestionáveis», salienta a nota publicada no site da OM.

A OM «reitera toda a confiança na prestação de cuidados por parte dos Médicos de Família aos utentes em idade pediátrica e reconhece o relevo dos cuidados prestados por médicos pediatras e de Medicina Geral e Familiar à população pediátrica em geral», afirmando ainda a «necessidade de uma eficaz e efetiva articulação entre estas duas especialidades médicas de forma a potenciar os cuidados prestados», lê-se no comunicado.

«O artigo de opinião divulgado, assinado por um conjunto de médicos especialistas em Pediatria e membros da direção do Colégio desta Especialidade, não corresponde a uma posição da Ordem dos Médicos», destaca um comunicado

Esta tomada de posição surge na sequência de um pedido de esclarecimento ao bastonário da OM por parte da direção da APMGF, que se sentiu «enxovalhada» pelo artigo de opinião, que visava apurar as causas para o problema atual das urgência pediátricas, sobretudo no Hospital Garcia de Orta.

No referido artigo, os pediatras referem que «todos reconhecem que os médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) são profissionais competentes, mas a sua formação pediátrica consiste em dois meses, claramente insuficiente para dominarem com segurança todas as vertentes do crescimento normal e da avaliação da doença aguda e crónica», acrescentando que «o exercício de funções com limitada formação ou creditação cria riscos, como recentemente se viu noutro caso mediático».

Associação Nacional das USF «lamenta as palavras proferidas»

Esta segunda-feira, à semelhança da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), também a direção da Associação Nacional das USF vem sublinhar, num comunicado, que «a formação de Pediatria durante o Internato médico de Medicina Geral e Familiar (MGF) vai muito para além dos dois meses e que, inclusive, o Internato Médico de Pediatria engloba também um estágio nos Cuidados de Saúde Primários, tendo como tutores médicos Especialistas de MGF». 

Esta Associação considera ainda ser «muito grave a utilização do “caso mediático” no artigo em questão e, sobretudo, a inclusão deste num parágrafo relativo ao trabalho dos médicos de família, sendo que nenhum membro desta especialidade se encontra envolvido no processo em curso».

«Realçamos que o colégio da Especialidade de MGF nutre relações de parceria e partilha de formação com o colégio da Especialidade de Pediatria.
Existe, sobretudo, uma relação de confiança e contínua formação bidirecional», conclui a Associação que «lamenta as palavras proferidas pelos autores em questão, esperando que as mesmas não sejam partilhadas pelos restantes especialistas de Pediatria».

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04 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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