Hospital de Santa Maria vai criar espaço para doentes que não têm para onde ir

05.11.2019

A partir de meados de dezembro estarão disponíveis 26 camas para o efeito 
 A partir de meados de dezembro, o Hospital Santa Maria, em Lisboa, vai ter um espaço com 26 camas para pessoas que já tiveram alta clínica, mas que permanecem internadas por não terem para onde ir.
O diretor clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) avançou que a ideia é retirar doentes que já não precisam de internamento das camas para doentes agudos.

«Não é um lar, atenção. Não vamos criar um lar. Vamos ter um espaço de internamento onde temos equipas de enfermagem permanentes, não deixamos de ser um hospital e temos esse ADN e essa responsabilidade e teremos disponibilidade médica para identificação de problemas e resolução.
Garantimos acompanhamento de enfermagem 24 sobre 24 horas. Não é uma enfermaria nem um lar, é algo intermédio», explicou Luís Pinheiro, numa entrevista à Lusa.

O barómetro de internamentos sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, divulgado em abril, indicava que cerca de mil camas dos hospitais públicos estão diariamente ocupadas por pessoas que não precisariam já de estar internadas, mas que não tinham alternativa.

Segundo o mesmo estudo, os doentes internados por motivos sociais ficam em média quase cem dias no hospital, o que representou um aumento superior a 40% em relação a 2018. Incapacidade das famílias ou falta de respostas na comunidade são os principais motivos destes internamentos sociais.

A partir de meados de dezembro, o Hospital Santa Maria, em Lisboa, vai ter um espaço com 26 camas para pessoas que já tiveram alta clínica, mas que permanecem internadas por não terem para onde ir 

No âmbito de um projeto mais amplo para tentar diminuir a sobrelotação dos internamentos, o CHLN prevê ainda melhorar os processos internos para reduzir o tempo de internamento desnecessário, evitando doentes internados em macas.

A hospitalização domiciliária é outro dos objetivos do Centro Hospitalar, a par de uma melhor articulação com os centros de saúde da sua área de abrangência, tentando que mais doentes consigam ser tratados da sua doença aguda nos centros de saúde.

Segundo o diretor clínico, o Hospital de Santa Maria prevê ainda «requalificar um espaço com 22 camas para doentes agudos, mas que tenha flexibilidade para receber doentes não agudos, um espaço que deverá estar pronto em meados de janeiro de 2020».

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04 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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