Médicos do Centro condenam o fim total das receitas em papel

por Teresa Mendes | 07.11.2019

Presidente do CRCOM critica a «insensibilidade» da Tutela
 O Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos (CRCOM) condenou, esta quarta-feira, a decisão do Ministério da Saúde e da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) de acabarem com as receitas médicas em papel a partir de março de 2020, apelando a que recuem na decisão.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do CRCOM, Carlos Cortes, criticou a «insensibilidade» da tutela e o desconhecimento sobre as dificuldades existentes para a desmaterialização total das receitas médicas.

«Temos médicos em locais periféricos que receitavam por via manual, porque se deslocavam ao domicílio ou por falhas na cobertura de rede de telecomunicações, o que ainda se verifica em muitos locais», disse o responsável, acrescentando que «sem a cobertura adequada de rede de telecomunicações, aumentam ainda mais os obstáculos de quem, perante esta portaria, não terá uma alternativa a usar o computador ou a aplicação do telemóvel».

O Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos condenou, esta quarta-feira, a decisão do Ministério da Saúde e da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde de acabarem com as receitas médicas em papel a partir de março de 2020, apelando a que recuem na decisão 

«É um erro grave imaginar que todos têm as condições adequadas para fazer uso das plataformas informáticas e que todos os doentes estão em condições imediatas de usar», evidenciou o dirigente.

Carlos Cortes sublinhou igualmente que existem médicos «com dificuldades» na prescrição informática das receitas, pelo que é uma «grande insensibilidade» restringir a prescrição manual.

O presidente do CRCOM frisa que «a Ordem defende a desmaterialização», mas que «tem de olhar para as exceções que sempre existiram e que foram atendidas até ao momento».
«É um erro grave ignorar a dificuldade de alguns médicos que fazem muito pelos seus doentes», sublinhou o dirigente, salientando que a situação vai criar inacessibilidade de alguns doentes a cuidados médicos.

Por estes motivos, o dirigente apela ao Ministério da Saúde e à SPMS a «voltar atrás e a manter as exceções, que é preciso atender, pois não se pode permitir que se criem dificuldades no acesso dos doentes» aos cuidados médicos.

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07 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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