Existem enormes disparidades na disponibilização dos fármacos inovadores

15.11.2019

Conclusão do «Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar» 
Há hospitais portugueses que chegam a demorar até quatro meses a disponibilizar medicamentos inovadores mesmo após terem a aprovação do pedido por parte do Infarmed. Esta é uma das conclusões do «Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar», divulgado hoje na 11.ª edição do Fórum do Medicamento, que decorreu em Lisboa.

Promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, em parceria com a Ordem dos Farmacêuticos e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o inquérito, que reuniu as respostas dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), salienta também as disparidades nos tempos de resposta (de disponibilização dos medicamentos) por parte dos diferentes hospitais.

Os pedidos dos médicos para os fármacos que já têm aprovação da Agência Europeia do Medicamento, mas que ainda não têm o financiamento acordado com o Estado, demoram, em média, 26 dias a ser respondidos pelo Infarmed.

Após a resposta positiva, os hospitais demoram, em média, 25 dias a comprar os medicamentos. Contudo, como destacam os autores, «o problema é que a média esconde enormes diferenças entre hospitais que podem ir de 3 até 120 dias».

Na base destas barreiras e atrasos estão, de acordo com as respostas dos hospitais, uma enorme carga administrativa para fazer estas compras (consideram 87% dos hospitais inquiridos), bem como a falta de recursos humanos nos serviços farmacêuticos hospitalares (61%).

Há hospitais portugueses que chegam a demorar até quatro meses a disponibilizar medicamentos inovadores mesmo após terem a aprovação do pedido por parte do Infarmed 

A «falta de eficácia» da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS)» é ainda apontada por 48% dos hospitais como sendo uma condição objetiva das mais relevantes que «restringe a aquisição de medicamentos».

Outra das conclusões deste Índex é que «quase 40% dos hospitais indicam ter diariamente ruturas no fornecimento de medicamentos e outros 30% afirmam que as ruturas ocorrem semanalmente».

As ruturas no fornecimento de medicamentos de uso hospitalar são consideradas pela totalidade dos hospitais como um «problema grave».
Para 26% dos inquiridos é um problema grave que afeta todos os medicamentos, para 30% afeta essencialmente os fármacos que têm genéricos e para 44% é grave, mas apenas nalguns medicamentos.
    
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15 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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