VIH/SIDA: Especialistas alertam para elevada percentagem de diagnósticos tardios

por Teresa Mendes | 28.11.2019

Novos diagnósticos continuam a diminuir em Portugal
Entre 2008 e 2017, o número de novos casos de infeção por VIH diminuiu 46% e o de novos casos de SIDA 67%, segundo o mais recente relatório sobre a infeção VIH e SIDA em Portugal, elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa) e pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Apesar destes bons indicadores, «a percentagem de diagnósticos tardios ainda é superior à da União Europeia».

De acordo com o documento, divulgado esta quarta-feira, encontram-se notificados em Portugal 59913 casos de infeção por VIH, com diagnóstico entre 1983 e 2018, dos quais 22551 atingiram estádio SIDA.

O relatório «Infeção VIH e SIDA – situação em Portugal em 2019» indica igualmente, que, até 30 de junho de 2019, foram notificados em Portugal 973 novos casos de infeção por VIH com diagnóstico durante o ano 2018, o que corresponde a uma taxa de 9,5 novos casos 100 mil habitantes.

No mesmo período foram ainda diagnosticados 227 novos casos de SIDA (2,2 casos por 100 mil habitantes), nos quais a pneumonia por Pneumocystis jirovecii foi a doença definidora de SIDA mais frequente. 

Os autores do relatório defendem uma melhoria das estratégias de rastreio, entre elas «a manutenção das respostas comunitárias, o alargamento dos testes rápidos nas farmácias e a criação de alertas para rastreio de pessoas com condições de infeção nos centros de saúde»

A maioria dos novos casos ocorreu em «indivíduos naturais de Portugal (64,2%), mantendo-se o predomínio de casos de transmissão heterossexual, no entanto, os casos em homens que têm relações sexuais com homens (HSH) corresponderam a 49,2% dos novos diagnósticos em homens».

Os casos em HSH apresentaram a idade mediana mais baixa (31 anos) e correspondem a 63,2% dos casos diagnosticados em indivíduos de idade inferior a 30 anos, com a taxa de diagnóstico mais elevada a registar-se no grupo etário 25-29 anos (23,8 casos por 100 mil habitantes). 

As estimativas realizadas para o ano 2017 revelaram que viviam em Portugal 39820 pessoas com infeção por VIH, e que apenas 7,8% não estavam diagnosticadas.

A proporção de infeções não diagnosticadas era mais elevada para os casos em homens heterossexuais (13,9%) e mais baixa em Utilizadores de Drogas Injetáveis (1,5%), sendo o tempo médio entre a infeção e o diagnóstico de 3-4 anos, no final de 2017. 

«Importa melhorar as estratégias de rastreio»

Apesar de estes indicadores indicarem que Portugal tem conseguido chegar aos grupos mais vulneráveis, «a percentagem de diagnósticos tardios ainda é superior à da União Europeia», destacam os autores, considerando que «importa melhorar as estratégias de rastreio, entre elas a manutenção das respostas comunitárias, o alargamento dos testes rápidos nas farmácias e a criação de alertas para rastreio de pessoas com condições de infeção nos centros de saúde».

A equipa defende também que a «aposta na disponibilização de meios preventivos e de redução de riscos e minimização de danos, assim como a promoção do rastreio da infeção e da referenciação das pessoas com resultados reativos para os cuidados hospitalares, se mantenham como eixos prioritários da resposta nacional à infeção». 

O documento informa igualmente que até agora «iniciaram PrEP cerca de 1000 pessoas, maioritariamente cisgénero masculino» e que «foram realizados mais de cinquenta mil testes rápidos para VIH em diversas estruturas de Saúde e Organizações Não-Governamentais, registando-se um aumento de cerca de 28% no número de testes realizados, comparativamente a 2017». 

O relatório pode ser lido aqui.
   
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28 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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