Faltam equipas multidisciplinares para seguir famílias com cancro hereditário
por Teresa Mendes | 29.11.2019
Doentes com cancro só descobre predisposição genética após ter a doença
Cerca de metade dos hospitais públicos não tem uma equipa multidisciplinar organizada para seguir as famílias com cancro hereditário, conclui um inquérito promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), que será divulgado este sábado, no 16.º Congresso Nacional de Oncologia, no Estoril.
Segundo este trabalho, realizado a nível nacional, quase metade das unidades inquiridas refere a «inexistência de uma estrutura multidisciplinar organizada para o seguimento das famílias com cancro hereditário, sendo necessário recorrer à referenciação/complementaridade de cuidados».
«Esta complementaridade é desejável, numa perspetiva de organização de recursos, no entanto, é necessário que esteja organizada e com circuitos bem definidos», refere o estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso prévio.
Gabriela Sousa, médica oncologista e membro da SPO, considera que esta área «requer melhor organização nacional e circuitos de referenciação definidos».
Em declarações à Lusa, a especialista reconhece que nem todas as unidades têm de ter estas equipas multidisciplinares, mas frisa que é preciso que esteja bem definido e organizado o desenho da rede de referenciação.
Para este trabalho, a SPO inquiriu 31 unidades de saúde e hospitalares em Portugal de norte a sul do país para avaliar os recursos disponíveis na área do cancro hereditário. Mais de metade (64,5%) disse registar anualmente mais de 1.000 novos casos de cancro.
«78% com histórico familiar de cancro não chegaram sequer a realizar teste genético» Um outro estudo que será igualmente apresentado no Congresso Nacional de Oncologia, promovido pela EVITA - Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário, indica que «78% dos inquiridos com histórico familiar de cancro não chegaram sequer a realizar teste genético, mais de metade (65%) por falta de indicação médica».
Cerca de metade dos hospitais públicos não tem uma equipa multidisciplinar organizada para seguir as famílias com cancro hereditário, conclui um inquérito promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia
Dos que o fizeram, «mais de metade (57%) foram encaminhados pelo seu oncologista e a maioria (60%) tinha já um diagnóstico de cancro no momento da realização do teste».
Apenas 7% dos doentes realizou o teste genético no setor privado, 46% fizeram-no no hospital onde eram acompanhados e 47% noutra instituição do Serviço Nacional de Saúde.
O estudo, que abrangeu uma amostra de 611 pessoas, a maioria mulheres adultas residentes no Litoral, indica que uma vasta maioria dos inquiridos (85%) disseram ter histórico familiar de cancro, 31% de ambos os lados da família (paterno e materno).
Três em cada quatro dos inquiridos que fizeram teste genético receberam resultado positivo e 92% viram a sua família ser referenciada para a consulta genética.
Dos que receberam resultado positivo, 33% não tiveram qualquer ação preventiva, por diversos motivos: estar fora da idade recomendada/desejo maternidade (22%); não considerar as ações preventivas necessárias (16%); acompanhamento prévio ou em tratamento (16%); a aguardar ação preventiva ou consulta (13%); sem indicação médica (10%); probabilidade de doença não justificada (3%); tempo de espera elevado (3%) e custo elevado da ação preventiva (3%).
Os dados do questionário da EVITA indicam ainda que os tipos de cancro com maior prevalência a nível de histórico familiar são, por ordem crescente, os da mama, colorretal, gástrico e pulmão.
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29 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt
Segundo este trabalho, realizado a nível nacional, quase metade das unidades inquiridas refere a «inexistência de uma estrutura multidisciplinar organizada para o seguimento das famílias com cancro hereditário, sendo necessário recorrer à referenciação/complementaridade de cuidados».
«Esta complementaridade é desejável, numa perspetiva de organização de recursos, no entanto, é necessário que esteja organizada e com circuitos bem definidos», refere o estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso prévio.
Gabriela Sousa, médica oncologista e membro da SPO, considera que esta área «requer melhor organização nacional e circuitos de referenciação definidos».
Em declarações à Lusa, a especialista reconhece que nem todas as unidades têm de ter estas equipas multidisciplinares, mas frisa que é preciso que esteja bem definido e organizado o desenho da rede de referenciação.
Para este trabalho, a SPO inquiriu 31 unidades de saúde e hospitalares em Portugal de norte a sul do país para avaliar os recursos disponíveis na área do cancro hereditário. Mais de metade (64,5%) disse registar anualmente mais de 1.000 novos casos de cancro.
«78% com histórico familiar de cancro não chegaram sequer a realizar teste genético» Um outro estudo que será igualmente apresentado no Congresso Nacional de Oncologia, promovido pela EVITA - Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário, indica que «78% dos inquiridos com histórico familiar de cancro não chegaram sequer a realizar teste genético, mais de metade (65%) por falta de indicação médica».
Cerca de metade dos hospitais públicos não tem uma equipa multidisciplinar organizada para seguir as famílias com cancro hereditário, conclui um inquérito promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia
Dos que o fizeram, «mais de metade (57%) foram encaminhados pelo seu oncologista e a maioria (60%) tinha já um diagnóstico de cancro no momento da realização do teste».
Apenas 7% dos doentes realizou o teste genético no setor privado, 46% fizeram-no no hospital onde eram acompanhados e 47% noutra instituição do Serviço Nacional de Saúde.
O estudo, que abrangeu uma amostra de 611 pessoas, a maioria mulheres adultas residentes no Litoral, indica que uma vasta maioria dos inquiridos (85%) disseram ter histórico familiar de cancro, 31% de ambos os lados da família (paterno e materno).
Três em cada quatro dos inquiridos que fizeram teste genético receberam resultado positivo e 92% viram a sua família ser referenciada para a consulta genética.
Dos que receberam resultado positivo, 33% não tiveram qualquer ação preventiva, por diversos motivos: estar fora da idade recomendada/desejo maternidade (22%); não considerar as ações preventivas necessárias (16%); acompanhamento prévio ou em tratamento (16%); a aguardar ação preventiva ou consulta (13%); sem indicação médica (10%); probabilidade de doença não justificada (3%); tempo de espera elevado (3%) e custo elevado da ação preventiva (3%).
Os dados do questionário da EVITA indicam ainda que os tipos de cancro com maior prevalência a nível de histórico familiar são, por ordem crescente, os da mama, colorretal, gástrico e pulmão.
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29 de Novembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt
Faltam equipas multidisciplinares para seguir famílias com cancro hereditário