Em 2018 duplicaram as mortes na gravidez e parto

02.12.2019

DGS diz que está a investigar causas
No ano passado, morreram 17 mulheres por complicações na gravidez, no parto ou no pós-parto. Em 2017 tinham sido 9.
«É uma catástrofe, e não há explicação para isto, ou então, deve haver várias», considera Luís Graça, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-fetal.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) diz que está a investigar as causas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelo jornal Público, divulgados esta sexta-feira, a taxa de mortalidade quase duplicou num ano, passando de 10,4 por cada cem mil nascimentos (nove mortes em termos absolutos) em 2017, para 19,5 mortes (17) em 2018.

É preciso recuar até 1980 para encontrar uma taxa tão elevada. Só em dezembro, faleceram seis mulheres, o mesmo número registado em todo o ano de 2016.
 
Recorde-se que em 2018, a DGS tinha apontado como uma das causas para o aumento das mortes a idade avançada das mães, mas, segundo os dados agora revelados, das 17 mulheres, apenas três tinham entre os 40 e os 44 anos.
Nos restantes óbitos registados, as mulheres tinham entre 25 e 39 anos.

Num comunicado à Imprensa, a DGS diz que está empenhada em analisar os fatores associados à mortalidade materna e garante que «está já em curso uma avaliação de cada um dos óbitos maternos ocorridos em 2017 e em 2018».

No ano passado, morreram 17 mulheres por complicações na gravidez, no parto ou no pós-parto. Em 2017 tinham sido 9. A Direção-Geral da Saúde (DGS) diz que está a investigar as causas 

A avaliação, informa a DGS, «envolve a deslocação a cada um dos hospitais/clínicas onde houve registo de mortes ao longo deste período, excetuando-se desta análise dois óbitos ocorridos na Madeira, relativamente aos quais foi solicitada a análise pela Região Autónoma da Madeira».

No que se refere aos óbitos ocorridos no ano de 2018, a DGS prevê que as visitas terminem no início de dezembro e que o relatório final seja discutido com peritos independentes, «para garantia da abrangência da análise e da transparência da metodologia e dos resultados». As conclusões devem ficar disponíveis até ao final de 2019.

Neste fim-de-semana e no âmbito do Congresso da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-fetal, que decorreu na Figueira da Foz, Luís Graça, o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-fetal (SPOMMF), considerou, em declarações à TSF, que nada justifica o facto de em 2018 quase ter duplicado o número de mulheres que morreram na sequência de complicações na gravidez ou parto, lembrando que «os fatores de risco da idade materna aumentada, obesidade, as mulheres com patologia não aumentaram subitamente de um ano para o outro».

O presidente da SPOMMF explica que inverter este cenário passa por não permitir que existam maternidades sem cuidados intensivos ou sem ligação direta a um hospital geral. 

Entretanto, o Bloco de Esquerda pediu esta sexta-feira uma «audição urgente» da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, no Parlamento sobre este assunto. 

«É um número e uma evolução intolerável, que não só merece preocupação, como exige explicações», alegam os bloquistas.

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02 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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