Chefes de cirurgia de Faro recusam fazer urgências a partir de 1 de janeiro

06.12.2019

Médicos alertam para a «persistência das degradadas condições de trabalho»
A partir de 1 de janeiro de 2020, os chefes de equipa de Cirurgia do Hospital de Faro vão deixar de estar disponíveis para fazer urgências, informam estes profissionais numa carta enviada esta quinta-feira à administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), cerca de um mês depois de terem comunicado que se recusavam a fazer trabalho suplementar.

Os profissionais justificam a medida com a «persistência das atuais, inaceitáveis e degradadas condições de trabalho no serviço de Urgência».

Em declarações aos jornalistas após um encontro que reuniu vários médicos e o bastonário da Ordem dos Médicos, no Hospital de Faro, o diretor do Serviço de Cirurgia, Martins dos Santos, disse que esta era «uma posição última», após «várias promessas» de melhoria das condições, sublinhando que há «uma exaustão que põe em causa a qualidade» do serviço prestado.

Aos jornalistas, à margem do encontro, a presidente do conselho de administração do CHUA, Ana Paula Gonçalves, informou que caso os cirurgiões avancem com a intenção de não fazer urgências a partir de 1 de janeiro, o serviço será garantido por um conjunto de 12 médicos tarefeiros que já «há muito tempo» que colmatam estas falhas.

Uma das reivindicações dos chefes de equipa expressas na missiva, a que a Lusa teve acesso, é o pagamento idêntico ao dos chamados médicos tarefeiros, uma vez que, «para o mesmo trabalho», a remuneração «está sujeita a regimes muito díspares».

Ana Paula Gonçalves, afirmou compreender que os médicos não vejam essa disparidade «com bons olhos», mas sublinhou que esse não é um problema cuja resolução «esteja na mão» da administração do CHUA, uma vez que «existem regras» diferentes para o pagamento de quem tem vínculo e dos tarefeiros.

Uma das reivindicações dos chefes de equipa expressas na missiva é o pagamento idêntico ao dos chamados médicos tarefeiros, uma vez que, «para o mesmo trabalho», a remuneração «está sujeita a regimes muito díspares»

Entres os problemas enumerados pelo diretor do Serviço de Cirurgia, há também limitações de espaço e de condições para observar os doentes, falta de camas para internamento de doentes urgentes e dificuldades no acesso ao bloco operatório.

«Os cirurgiões não têm condições para observar doentes, têm uma única sala onde têm de observar 30 a 40 doentes e têm sistematicamente dificuldade em aceder ao bloco operatório», referiu, acrescentando que a falta de camas faz com que os doentes se «amontoem» no serviço de Urgência.

Aquele responsável diz que em 32 anos no hospital de Faro, a situação «nunca esteve tão má» como agora, com risco para os profissionais e para os utentes, já que está em causa, inclusive, «a sua capacidade de discernimento».

Ana Paula Gonçalves admitiu que há falta de espaço no hospital, mas adiantou que está previsto, no próximo ano, o alargamento do Serviço de Urgência.

Aos jornalistas, o bastonário Miguel Guimarães manifestou «total solidariedade» para com aqueles profissionais, que «estão muitas vezes a trabalhar sem a segurança clínica adequada».

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06 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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