Afinal, a cesariana não aumenta o risco de obesidade na criança

por Teresa Mendes | 09.12.2019

Resultados de novo estudo contradizem dados atuais 
As crianças nascidas através de cesariana não têm, afinal, uma probabilidade aumentada de virem a desenvolver obesidade, segundo um estudo de grandes dimensões de investigadores do Karolinska Institutet, na Suécia, publicado esta sexta-feira na revista PLOS Medicine. 

Os resultados contradizem os dados conhecidos até agora, que sustentam a associação da cesariana com a obesidade.
Contudo, como ressalvam os investigadores, «esta relação foi confirmada principalmente em estudos menores, que não foram capazes de explicar a ampla variedade de possíveis fatores envolvidos ou diferenciar os tipos de cesarianas, por exemplo».

Neste estudo, foi investigado se o aumento de partos por cesariana poderia explicar parte do aumento da obesidade também observado nas últimas décadas, e se essa associação potencial se mantinha verdadeira após conhecer os fatores maternos e pré-natais que podem impactar no aumento do peso.

Por isso, «foi comparado o índice de massa corporal de quase 100 mil homens, com 18 anos, tendo os mesmos sido divididos em categorias diferentes, dependendo de terem nascido por parto vaginal, cesariana eletiva ou cesariana não eletiva».

Os resultados mostraram que 5,5 e 5,6% dos homens nascidos por cesariana eletiva e não eletiva, respetivamente, eram obesos em comparação com 4,9% dos homens nascidos por via vaginal. Contudo, «após considerar outros fatores que afetam o peso (incluindo IMC antes da gravidez, idade materna e gestacional e presença de diabetes, hipertensão, tabagismo e pré-eclâmpsia na mãe)», os investigadores concluíram que «o tipo de parto não teve um efeito significativo na determinação do risco de obesidade nas crianças».

«A associação entre a cesarianas e obesidade pode ser explicada na sua maioria pelo IMC pré-gravidez materno», diz Viktor H. Ahlgvist, o que sugere que «a herança e a exposição fetal a fatores causadores de obesidade no útero são mais importantes na avaliação do risco de obesidade do que o tipo de parto» 

«Não encontramos evidências para apoiar a ligação entre a cesariana e o desenvolvimento da obesidade», o que nos leva a concluir que «o tipo de parto pode não ser um fator importante na origem da epidemia global da obesidade», salienta Daniel Berglind, investigador do Departamento de Saúde Pública Global do Karolinska Institutet, citado num comunicado.

O fator de confusão mais forte na associação entre o tipo de parto e a obesidade foi o peso da mãe antes de engravidar, consistente com relatórios anteriores sobre a herança da obesidade e a influência da obesidade materna na saúde fetal. E, de facto, «a associação entre a cesarianas e obesidade pode ser explicada na sua maioria pelo IMC pré-gravidez materno», diz Viktor H. Ahlgvist, investigador do mesmo departamento, o que nos sugere que «a herança e a exposição fetal a fatores causadores de obesidade no útero são mais importantes na avaliação do risco de obesidade do que o tipo de parto».

O estudo, intitulado «Elective and nonelective cesarean section and obesity among young adult male offspring: a Swedish population-based cohort study» está disponível para consulta aqui.

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09 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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