Ordem lamenta que ministra esconda realidade do Algarve

por Teresa Mendes | 10.12.2019

Bastonário desafia Marta Temido a explicar tempos de espera inaceitáveis
Em resposta às declarações da ministra da Saúde, que na passada sexta-feira disse, na sequência dos problemas relatados em algumas unidades hospitalares, nomeadamente no Algarve, não lhe parecer que «haja falta de médicos no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA)», a Ordem dos Médicos acusa Marta Temido de faltar à verdade.

Num esclarecimento, a OM lembra que na passada quinta-feira o bastonário da OM esteve no Hospital de Faro, «onde há poucos dias a urgência foi assegurada com um único cirurgião e onde as escalas das próximas semanas têm períodos sem nenhum médico».

De acordo com os números da própria Administração Central do Sistema de Saúde, que constam do último balanço social publicado, «o CHUA é o centro hospitalar do país com maior volume de horas de prestação de serviços médicos, com 238.706 horas em 2018» e, na despesa com a prestação de serviços médicos, «o CHUA volta a ocupar o primeiro lugar, com 8,3 milhões de euros», informa a nota à Imprensa.

«Se os números não são suficientes para a ministra da Saúde reconhecer a grave carência que afeta o Algarve e que deveria ser prioridade nacional, convém então que a tutela explique tempos de espera inaceitáveis», refere o bastonário num comunicado 

Além disso, os médicos fizeram ainda 223.348 horas extraordinárias em 2018, um aumento de 8% em relação a 2017. De resto, a região tem 2,4 médicos por 1000 habitantes. Só o Alentejo tem menos.
A média nacional é de 2,9 no Serviço Nacional de Saúde.

«Se estes números não são suficientes para a ministra da Saúde reconhecer a grave carência que afeta o Algarve e que deveria ser prioridade nacional, convém então que a tutela explique tempos de espera inaceitáveis, que deixam as pessoas sem acesso a cuidados de saúde em tempo adequado», refere no comunicado o bastonário. 

Miguel Guimarães destaca que «no Algarve um doente tem de esperar, por exemplo, quase 1400 dias por uma consulta prioritária de Ortopedia». No caso da Pneumologia são necessários 718 dias, 663 dias na Urologia, 269 na Neurocirurgia, etc. Para as cirurgias o cenário não é melhor, com esperas de 248 para Neurocirurgia, 195 para Oftalmologia, 185 dias para Otorrinolaringologia, 160 para Urologia, e 132 dias para Ortopedia.

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10 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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