Médicos e administradores defendem estratégia nacional para a Medicina de Precisão

foto de Arquivo TM | 11.12.2019

Agenda estratégica contempla dois projetos piloto para o SNS 
Portugal precisa de uma estratégia nacional para a Medicina de Precisão, defendem administradores hospitalares e médicos, que apresentam esta quarta-feira, na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, uma proposta para uma agenda estratégica que contempla dois projetos piloto para avançar no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, sugere que Portugal deve ter uma «estratégia industrial», investindo no desenvolvimento de novas tecnologias para a medicina de precisão.

«São tecnologias altamente sofisticadas. Será importante que o país esteja consciente de que deve investir em inovação e capacidade tecnológica nesta área. Daí que defendamos uma estratégia industrial para o país para que seja capaz de desenvolver estas tecnologias, com parcerias entre hospitais, academia e a própria indústria e potencialmente investidores», afirmou.

«Novas práticas clínicas personalizadas têm sido investigadas e desenvolvidas, de forma a promover uma melhor resposta dos cuidados de saúde, passando de uma abordagem de “one sise fits all” para medicina de precisão», refere o documento

O responsável explica que a medicina de precisão permite «melhorar a rapidez e eficácia dos diagnósticos», até evitando terapêuticas ineficazes e dispendiosas. A nível económico isso pode significar «uma utilização mais racional dos recursos, reduzindo o desperdício».

Alexandre Lourenço frisa ainda que a evolução da medicina já permitiu perceber que «as pessoas respondem aos tratamentos em função da sua variação genética, hábitos e estilos de vida».

Dados internacionais demonstraram que mesmo em doenças muito estudadas, como a diabetes, há consideráveis taxas de ineficiência de tratamentos. No caso da asma, 43% dos doentes têm uma resposta ineficaz aos tratamentos, no caso da artrite sobe para cerca de 50% e na área oncológica, mesmo com a crescente inovação, a ineficácia chega a ser de 75%.

«Novas práticas clínicas personalizadas têm sido investigadas e desenvolvidas, de forma a promover uma melhor resposta dos cuidados de saúde, passando de uma abordagem de “one sise fits all” para medicina de precisão», refere o documento, ao qual a Lusa teve acesso prévio.

Propondo uma agenda para ser aplicada nos próximos quatro anos, a estratégia pretende que se assuma a medicina de precisão como um «pilar estratégico a nível governamental», que incentive o investimento neste tipo de práticas.
 
A agenda estratégica propõe ainda que sejam «definidos modelos de financiamento mais adequados», não pondo em causa a sustentabilidade financeira das unidades envolvidas.

Contudo, o documento defende que «é importante garantir que a regulação acompanha a inovação e não bloqueia o financiamento e o acesso por parte dos cidadãos a novas tecnologias».

Na agenda de quatro anos – entre 2020 e 2023 — são propostos dois projetos piloto a realizar em hospitais do SNS. Um deles a focar-se na integração de dados clínicos e desenvolvimento de algoritmos para ajuda na decisão clínica. O outro projeto tem como objetivo fundamental assegurar que o acesso de doentes a tratamentos personalizados, com um modelo de financiamento sustentável.

19tm50k
11 de Dezembro de 2019
1950Pub4f19tm50k

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 24.01.2020

 USF Cortes de Almeirim dá médico de família a 2000 utentes

Foi inaugurada esta sexta-feira, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Cortes de Almeirim. A cerimónia c...

por Teresa Mendes | 24.01.2020

Poderemos vir a ser amortais?»

A presidente do Instituto de Medicina Molecular, Maria Carmo-Fonseca, é a oradora da próxima FMUL Ta...

por Teresa Mendes | 23.01.2020

Nomeados os membros da Direção da Competência em Ecografia Obstétrica Difer...

 Já estão nomeados todos os membros da Direção do Colégio da Competência em Ecografia Obstétrica Dif...

por Teresa Mendes | 23.01.2020

 Deixar de fumar um mês antes de uma cirurgia permite melhor recuperação

Os fumadores que deixem de fumar pelo menos um mês antes de uma cirurgia têm menores probabilidades...

23.01.2020

Coronavírus: Portugal activa os dispositivos de saúde pública de prevenção

Portugal já ativou os dispositivos de saúde pública de prevenção ao coronavírus proveniente da China...

por Teresa Mendes | 22.01.2020

 Sindicato denuncia falta de recursos humanos nas maternidades de Coimbra

 O Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC) considerou esta terça-feira, após uma visita às mater...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.