Metas inscritas no Plano de Saúde Mental há mais de 10 anos continuam por alcançar

por Teresa Mendes | 16.12.2019

Peritos defendem integração da saúde mental nos CSP 
Passados mais de 10 anos, grande parte do retrato traçado no Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016 «ainda é atual», conclui o estudo do Conselho Nacional de Saúde (CNS), «Sem Mais Tempo a Perder: Saúde Mental em Portugal – Um desafio para a próxima década», apresentado hoje na Assembleia da República.

Segundo as conclusões do relatório, publicado no site do CNS, «as pessoas que vivem com problemas de saúde mental continuam a defrontar-se com barreiras ao seu pleno reconhecimento como cidadãos», o estigma e a discriminação «ainda fazem parte do quotidiano de muitos doentes, como fazem também as dificuldades no acesso a estruturas de apoio social». 

Por estes motivos, o CNS adverte que «a articulação entre o setor da saúde e o setor social necessita de ser reformulada e adequada ao grande número de doentes e famílias que carecem de apoio».

Segundo as conclusões do relatório, «o estigma e a discriminação ainda fazem parte do quotidiano de muitos doentes, como fazem também as dificuldades no acesso a estruturas de apoio social» 

Adicionalmente, prosseguem os autores, «é importante regular o recém-publicado Estatuto do Cuidador Informal, de forma a concretizar a proteção do Estado aos que cuidam de pessoas com problemas de saúde mental».

Também o consumo de medicamentos faz parte do quotidiano de muitas pessoas que vivem com problemas de saúde mental, «embora provavelmente nem todas necessitassem de uma abordagem farmacológica», considera o documento, observando que «a falta de resposta em cuidados de saúde de proximidade, nomeadamente em abordagens não farmacológicas, os maus hábitos de prescrição e a dependência medicamentosa ajudam a explicar o elevado consumo de psicofármacos registado em Portugal».

Na opinião do grupo de peritos, «os problemas de saúde mental mais comuns devem poder encontrar uma resposta adequada nos cuidados de saúde primários (CSP), quer através de meios farmacológicos quer psicossociais, em articulação com os serviços de saúde mental mais diferenciados», sendo necessário, para tal, de «dotar os cuidados de saúde primários de recursos humanos qualificados com competências específicas, bem como formação adicional para os profissionais atualmente existentes». 

A integração da saúde mental nos CSP, incluindo o recrutamento de profissionais especialistas como enfermeiros de saúde mental, psicólogos ou terapeutas, e a melhor articulação com o setor social e as organizações da comunidade «podem melhorar muito a qualidade de vida das pessoas que vivem com problemas de saúde mental», considera o documento nas sua conclusões, acrescentando que «a proximidade dos cuidados e o suporte social tem o potencial de facilitar uma resposta mais próxima, mais atempada e mais adequada às suas necessidades».

O relatório pode ser lido na íntegra aqui.

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16 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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