Morreram 26 mulheres em 2017 e 2018 na sequência de complicações na gravidez

27.12.2019

Bastonário da OM surpreendido com mortalidade de mulheres jovens 
 Em 2017 e 2018 morreram 26 mulheres na sequência de complicações na gravidez, parto e puerpério (até 42 dias após o parto).

Os dados foram divulgados esta quinta-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), numa conferência de Imprensa, após uma avaliação aos casos de mortes maternas, que segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) tinham quase duplicado de 2017 para 2018.

Com esta avaliação, a DGS reviu em baixa os números do ano passado, mas aumentaram as mortes maternas registadas no ano anterior e quase duplicaram em 2016. Segundo a diretora-geral da Saúde, foram identificados dois padrões associados à mortalidade materna: mulheres acima dos 35 anos e mulheres mais jovens com doenças graves já existentes.

Em 2017 e 2018 morreram 26 mulheres na sequência de complicações na gravidez, parto e puerpério. Os dados foram divulgados esta quinta-feira pela DGS, numa conferência de Imprensa, após uma avaliação aos casos de mortes maternas 

Graças Freitas informou que, após fazer o cruzamento da base de dados da mortalidade com a do internamento e morbilidade, foi possível apurar que em 2018 registaram-se 15 mortes maternas, em 2017 foram 11 e em 2016 doze.

O Instituto Nacional de Estatística tinha o registo de 17 mortes maternas no ano passado, sendo que Graça Freitas explicou que dois casos estavam mal registados quando foram comunicados ao INE. Em relação a 2017, o número inicial era de nove mortes maternas e em 2016 o número era de sete.

Para fazer a análise das causas das 26 mortes, uma equipa de médicos deslocou-se em junho e julho aos hospitais para, «com todo o sigilo e respeito por estas mortes», analisar os processos clínicos, disse Graça Freitas, que na Conferência de Imprensa apresentou as conclusões da análise aos óbitos maternos ocorridos em 2017 e 2018.

«Feita toda a análise estatística encontraram-se dois padrões muito importantes: Mulheres que engravidam depois de 35 anos e mulheres relativamente jovens ou mesmo jovens, mas portadoras de doenças grave», salientou.

De acordo com a diretora-geral da Saúde, o padrão das mulheres mais velhas já era conhecido.

«Estas mulheres têm uma característica interessante em relação às outras. Habitualmente levam a gravidez até ao termo e bastantes destes óbitos ocorrem depois do puerpério», que é contabilizado até 42 dias após o parto.
O outro padrão, que constitui uma «novidade epidemiológica», tem a ver com mulheres relativamente jovens ou mesmo jovens, mas portadoras de doenças graves e que, entretanto, engravidaram e morreram durante a gravidez, adiantou Graça Freitas.

«Em anos passados podiam não ter chegado à idade fértil. Engravidaram e morreram enquanto estavam grávidas, algumas delas nem sabiam que estavam grávidas. São mortes precoces na gravidez», explicou.
Graça Freitas adiantou que, «do conjunto das 26 mortes, a maior parte ocorreu antes do parto».

O bastonário da Ordem dos Médicos mostrou-se surpreendido com parte das conclusões divulgadas pela Direção-Geral de Saúde sobre a mortalidade de mulheres grávidas. Miguel Guimarães adiantou à TSF que a existência, nesta lista, de várias mulheres jovens com doenças graves é uma novidade.
 
«As pessoas mais novas, que acabam por engravidar e que têm doenças complicadas que depois podem evoluir e ser causa de morte, era uma coisa em que não tinha pensado e afinal existem vários casos», explicou à TSF Miguel Guimarães.

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27 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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