Sobrinho Simões alerta que investigação em saúde não chega aos hospitais

31.12.2019

Ipatimup celebra 30 anos
 A «maior fragilidade» da investigação em saúde em Portugal é a falta de transferência do conhecimento para empresas e hospitais, alerta Sobrinho Simões, que há 30 anos fundou o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto - Ipatimup.

«Nós continuamos a ser excessivamente investigadores. A maior fragilidade da investigação em saúde é a translação do conhecimento. Falta a dinâmica das empresas e dos hospitais na procura pelos institutos», salientou o responsável à Lusa, a propósito do 30.º aniversário Ipatimup, marcado durante este ano por várias iniciativas.

Segundo o investigador, a «falta de translação» existente na área de investigação em saúde é «um defeito do país» que «impede a capacidade de tornar o modelo mais vivo, porque continuamos a ter muitos “papers” e poucas patentes. Isto não é uma coisa sui generis, é Portugal».

Se em 1989, aquando da fundação do Ipatimup, Manuel Sobrinho Simões, ainda com 42 anos, desejava «ter as vantagens da universidade, sem ter os inconvenientes», isto é, liberdade, capacidade de contratação e de concorrer a projetos, hoje acredita que o essencial é «aumentar o valor social» da investigação produzida.

«Nós continuamos a ser excessivamente investigadores. A maior fragilidade da investigação em saúde é a translação do conhecimento. Falta a dinâmica das empresas e dos hospitais na procura pelos institutos», salientou Sobrinho Simões

«Tivemos condições excecionais para fazer o Ipatimup. Somos uma história de sucesso e viemos de muito baixinho, num país que tinha ficado virado ao contrário», lembrou, contando que naquela época eram 50 as pessoas, desde técnicos a doutorados, que trabalhavam no instituto.

E se, por um lado, a década de 1980, marcada pela introdução da avaliação externa, deu «um arejamento brutal» à produção científica portuguesa na área da saúde, nos últimos anos «tal não se verificou».

«Sentimos que estávamos num “platô”, precisávamos de aumentar a capacidade de interação e produção científica transversal e de dar utilidade social, porque já não interessava só publicar os melhores ‘papers'», explicou o professor.

Foi deste “platô”, isto é, das «pequenas e poucas elevações» existentes no caminho traçado pelo instituto que, em 2008, surgiu o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), resultante da fusão entre o Ipatimup, o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB).

Pelos corredores do i3S circulam, atualmente, 1500 pessoas, que, entre laboratórios e escritórios se debruçam sobre «três universos»: o cancro, as doenças neuropsiquiátricas e a interação dos hospedeiros com os organismos.

No entanto, apesar do «excecional trabalho desenvolvido» pelos investigadores, Sobrinho Simões afirmou que falta «aumentar o valor social» da investigação, mais concretamente, no que à capacidade de elaboração de «produtos e serviços com valor comercial» concerne.

À semelhança da introdução de «valor social» na investigação, o patologista sustentou a necessidade de a área ser «mais determinante em algumas políticas», dando como exemplo os açúcares, tabaco, alimentação, obesidade e pseudociências.

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31 de Dezembro de 2019
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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