Pessoas que dormem mal correm maior risco de desenvolver Alzheimer

por Teresa Mendes | 10.01.2020

Estudo detecta mudanças na estrutura e cognição 
As pessoas que dormem mal apresentam alterações no desempenho cognitivo e na estrutura do cérebro, principalmente na substância branca e em algumas regiões afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Esta é a principal conclusão de uma investigação do Barcelonaβeta Brain Research Center (BBRC), o centro de investigação da Fundação Pasqual Maragall.
 
No estudo, intitulado «Association between insomnia and cognitive performance, gray matter volume, and white matter microstructure in cognitively unimpaired adults», cujos resultados foram publicados esta terça-feira na revista Alzheimer's Research and Therapy, os investigadores analisaram o desempenho cognitivo de pessoas com insónias e compararam esse desempenho com o de pessoas com sono normal.

As pessoas que dormem mal apresentam alterações no desempenho cognitivo e na estrutura do cérebro, principalmente na substância branca e em algumas regiões afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer

«Os resultados mostram que a insónia está associada a piores resultados nos testes cognitivos. Em particular, descreveram uma redução em algumas funções executivas, como memória de trabalho.», lê-se numa nota à Imprensa.

Por outro lado, e através da realização de ressonância magnética, o estudo mostra que «os participantes com insónias têm um volume menor em algumas regiões do cérebro, nomeadamente o precuneus ou o córtex cingulado posterior, que são afetadas nos estágios iniciais da doença». 

Não é a primeira vez que os cientistas fazem uma associação entre o sono e a doença de Alzheimer. Em 2018, um outro estudo também já tinha estabelecido a mesma correlação.

O presente estudo também encontrou alterações na substância branca do cérebro usando imagens ponderadas por difusão. «Esses achados sugerem a presença de processos de inflamação cerebral que podem ter um papel importante na associação entre a qualidade do sono e a doença de Alzheimer», destaca Oriol Grau, primeiro autor do estudo. 

A publicação desses resultados abre as portas para uma nova linha de investigação que ainda não foi explorada e ajudará a entender a relação entre neuroinflamação, sono e demência.

Os investigadores analisaram igualmente a relação entre insónia e a variante genética APOE-ε4. O gene APOE tem três variantes possíveis ou alelos (ε2, ε3 e ε4) e a variante ε4 confere maior risco de Alzheimer.

Os resultados revelam que «os efeitos da insónia no cérebro estão aumentados em pessoas portadoras de APOE-ε4 e, portanto, apresentam um maior risco de desenvolver a doença».

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10 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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