Terapia de longa duração para a esquizofrenia é segura

por Teresa Mendes | foto de "DR" | 13.01.2020

Taxa de mortalidade aumenta quase para o dobro nos doentes sem medicação
Investigadores do Karolinska Institutet, na Suécia, e seus colegas na Alemanha, EUA e Finlândia estudaram a segurança da terapia antipsicótica de longo prazo para a esquizofrenia. Segundo o estudo, publicado esta sexta-feira na revista científica World Psychiatry, a mortalidade foi maior nos períodos em que os doentes não usaram medicação.

As pessoas com esquizofrenia têm uma expectativa de vida média de dez a vinte anos inferior ao normal e há muito que se pensa que uma das causas possa ser o uso a longo prazo de antipsicóticos.
No entanto, meta-análises de resultados de estudos randomizados revelam que a taxa de mortalidade dos doentes medicados com antipsicóticos é 30 a 50% menor do que naqueles que receberam placebo. 

Este estudo, o maior realizado sobre o assunto até ao momento vem confirmar essa realidade, demonstrando que «os antipsicóticos não estão associados ao aumento do risco de complicações e comorbilidades».

Os investigadores monitorizaram pouco mais de 62.000 finlandeses que receberam um diagnóstico de esquizofrenia em algum momento entre 1972 e 2014, o que resultou num período médio de acompanhamento de mais de 14 anos. 

No final da investigação, os cientistas descobriram que «a probabilidade de ser hospitalizado por uma doença somática era tão elevada durante os períodos em que os doentes usavam antipsicóticos como quanto quando não usavam».

Contudo, «as diferenças de mortalidade foram notórias: A taxa de mortalidade acumulada no período de acompanhamento nos períodos de medicação e não medicação foi de 26% e 46%, respetivamente», salientam os investigadores num comunicado.

Os cientistas acreditam o tratamento antipsicótico contínuo para a esquizofrenia é uma opção mais segura do que estar sem medicação.
Embora se saiba que o tratamento traz o risco de reações adversas, como um aumento de peso, que pode aumentar o risco de doença cardiovascular, os investigadores salientam que «os medicamentos também podem ter um efeito anti-hipertensivo e reduzir a ansiedade e o risco de abuso de substâncias».

Além disso, «o tratamento antipsicótico também pode ajudar os doentes a adotar um estilo de vida mais saudável e aumentar a probabilidade de procurar ajuda quando necessário».

«Os antipsicóticos são normalmente associados a coisas más pelos media, o que pode dificultar a passagem da informação sobre a sua importância», diz Jari Tiihonen, professor de psiquiatria do Departamento de Neurociência Clínica do Karolinska Institutet.

«A taxa de mortalidade acumulada no período de acompanhamento nos períodos de medicação e não medicação foi de 26% e 46%, respetivamente», salientam os investigadores 

«Sabemos de estudos anteriores que apenas metade das pessoas que receberam alta hospitalar após o primeiro episódio psicótico com diagnóstico de esquizofrenia tomam antipsicóticos.

Além disso, existem muitas pessoas com esquizofrenia em uso prolongado de benzodiazepínico, o que viola as diretrizes existentes e está associado ao aumento do risco de mortalidade.
Construir confiança e entendimento para a eficácia e segurança dos medicamentos antipsicóticos é importante, e esperamos que este estudo possa contribuir para esse fim», destaca o responsável.

O estudo, intitulado «20‐year follow‐up study of physical morbidity and mortality in relationship to antipsychotic treatment in a nationwide cohort of 62,250 patients with schizophrenia (FIN20)», pode ser consultado aqui.

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13 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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