Sindicato denuncia falta de recursos humanos nas maternidades de Coimbra

por Teresa Mendes | 22.01.2020

Urgência de Obstetrícia e Neonatologia «está sempre na “corda bamba”»
 O Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC) considerou esta terça-feira, após uma visita às maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos, que as duas instituições apresentam um panorama «assustador» para os cuidados materno infantis na região Centro devido à falta de recursos humanos e ausência de renovação do quadro clínico.

Num comunicado, o SMZC defende que é «insuficiente» a contratação de duas profissionais em 2018 para a Obstetrícia e uma para a Neonatalogia em 2019, depois de um período de 10 anos sem novas contratações.

«É claramente insuficiente, pois o saldo continua negativo quando consideramos oito saídas por reforma», lê-se do comunicado, que salienta a necessidade de resolver a situação «a curto prazo».

Segundo o SMZC, mais de 50% dos recursos humanos de ambas as maternidades têm mais de 60 anos, «com apenas cinco médicos de Obstetrícia em cada unidade sem restrições para realizar urgência».

Segundo o SMZC, mais de 50% dos recursos humanos de ambas as maternidades têm mais de 60 anos, «com apenas cinco médicos de Obstetrícia em cada unidade sem restrições para realizar urgência» 

O funcionamento da urgência de Obstetrícia e Neonatologia «está sempre na “corda bamba”, dependente de médicos de fora e da boa vontade dos mais velhos do quadro, que têm prescindido do seu direito de dispensa de serviço de urgência com grande custo pessoal e familiar, sendo evidente o desgaste e sobrecarga de trabalho», frisa a nota.

A estrutura sindical observa ainda que no serviço de Neonatalogia existem apenas cinco médicos na maternidade Daniel de Matos e quatro na Bissaya Barreto sem restrições para a realização de urgências, que funcionam 24 horas por dia durante toda a semana.

«O quadro médico da Obstetrícia da maternidade Bissaya Barreto (que conta com 17 obstetras) continua a necessitar de renovação, pois desde 2018 já se reformaram dois médicos e um aguarda reforma, e na Daniel de Matos (que conta com 24 obstetras) dois já se reformaram e três atingem este ano a idade mínima de reforma», explica o SMZC.

Na Neonatalogia da Bissaya Barreto um médico aguarda também a passagem à reforma e dois atingem a idade mínima de reforma nos próximos dois anos.

O sindicato refere ainda que a realização de ecografias às grávidas seguidas nos cuidados primários foi afetada pela escassez de recursos, «tendo deixado ambas as maternidades de realizar a ecografia do terceiro trimestre».

«É inaceitável que um protocolo único e que garante qualidade máxima no cuidado materno-fetal esteja a ser afetado pela falta de renovação dos quadros médicos», considera o sindicato, salientando que as duas maternidades de Coimbra realizam anualmente cerca de 5000 partos. 

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22 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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