«É necessário fazer da insuficiência cardíaca uma prioridade nacional»

por Teresa Mendes | 29.01.2020

Dentro de 40 anos haverá 500 mil portugueses com IC
 O Grupo de Estudos de Insuficiência Cardíaca (GEIC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia manifesta a sua preocupação com a «falta de organização efetiva no acompanhamento e tratamento destes doentes» e com o desconhecimento geral sobre esta doença, que é «responsável pela morte de metade dos doentes cinco anos após o diagnóstico».

Num comunicado, o GEIC salienta que «em Portugal, há 380 mil doentes com insuficiência cardíaca, estimando-se que, em 2060, este número ascenda aos 500 mil». 

Na opinião de Silva Cardoso, coordenador do GEIC, «sendo o Serviço Nacional de Saúde um dos melhores a nível mundial, não faz sentido que o acompanhamento e tratamento dos doentes com insuficiência cardíaca seja tão incompleto e tão pouco eficiente, como se revela atualmente, e sem uma estratégia eficaz de abordagem aos doentes».

«Temos diversas áreas da Cardiologia em que prestamos cuidados de saúde de elevada qualidade, como é o caso concreto da Via Verde Coronária ou a Via Verde para o AVC, e é necessário fazer também da insuficiência cardíaca (IC) uma prioridade nacional», apela o responsável  na nota à Imprensa.

Na opinião de Silva Cardoso, coordenador do GEIC, «sendo o SNS um dos melhores a nível mundial, não faz sentido que o acompanhamento e tratamento dos doentes com insuficiência cardíaca seja tão incompleto e tão pouco eficiente e sem uma estratégia eficaz de abordagem aos doentes» 

«Acreditamos que esta desorganização nos cuidados e falta de eficiência se deve a um profundo desconhecimento em relação à doença, quer por parte da população em geral como até, possivelmente, de alguns setores da comunidade médica.

E basta olharmos para os factos para percebermos a dimensão do problema: a taxa de mortalidade da IC é superior à dos cancros mais comuns, como mama, próstata, colón e leucemia», salienta o especialista.

Com o objetivo de contribuir para reverter esta situação, o GEIC organizou no passado dia 24 de janeiro, o colóquio «Tempo de Agir – Portugal, 400 mil doentes com IC: organizar, AGORA!», em Lisboa, debate que contou com a presença de  médicos, doentes e entidades governamentais.

Recorde-se que a IC tem um forte impacto ao nível dos gastos na saúde, «representando 2.6% da despesa pública».
De acordo com dados recentes, «foi a segunda maior causa de dias de utilização de camas hospitalares em Portugal (182.512 dias de internamento), cerca do dobro dos números identificados para o enfarte agudo do miocárdio».
O número de internamentos por IC «cresceu em 33% entre 2004-2012».

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28 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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