«Um hospital não pode estar de portas abertas sem ter diretor clínico»

por Teresa Mendes | foto de https://www.google.pt/u | 30.01.2020

CHEDV está a funcionar «à margem da lei», denuncia o bastonário da OM
A Ordem dos Médicos (OM) denunciou esta terça-feira que Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV), que serve cerca de 400 mil pessoas, está a funcionar «à margem da lei» por não ter diretor clínico desde junho de 2019.

«Um hospital não pode estar de portas abertas sem ter diretor clínico. Esta é uma situação muito grave que se fosse noutro setor provavelmente o Hospital já tinha encerrado portas e até já tinha sido multado seguramente pela Entidade Reguladora da Saúde», alertou o bastonário da Ordem dos Médicos aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital da Feira.

Miguel Guimarães informou que não existe diretor clínico no CHEDV desde 30 de junho de 2019, altura em que a médica que ocupava aquele cargo cessou funções, a seu pedido.

«Ou seja, há cerca de sete meses que esta unidade hospitalar não tem diretor clínico. Isto é uma situação completamente ilegal», reforçou o responsável, que apelou à Entidade Reguladora da Saúde para que «rapidamente verifique a situação e que atue em conformidade de acordo com aquilo que está na lei».

Miguel Guimarães apelou também à ministra da Saúde, Marta Temido, para que nomeie rapidamente um diretor clínico, de forma a regularizar a situação.

Na mesma ocasião, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, disse que a falta de um diretor clínico poderá pôr em causa a idoneidade formativa do CHEDV, atribuída pela Ordem.

«Esta é uma situação muito grave que se fosse noutro setor provavelmente o Hospital já tinha encerrado portas e até já tinha sido multado seguramente pela Entidade Reguladora da Saúde», alertou o bastonário 

Em declarações à Lusa, António Araújo anunciou que vai propor «a retirada da idoneidade formativa completa a todo o Hospital», na primeira reunião de Conselho Nacional, que terá lugar em fevereiro, após a tomada de posse do bastonário, caso a situação não esteja resolvida até lá.

«A senhora ministra tem um prazo muito curto para resolver esta situação», afirmou o mesmo responsável, explicando que, com a retirada da idoneidade formativa, os cerca de 200 médicos internos que estão a fazer formação neste hospital serão realocados em outras unidades.

Entretanto, numa nota enviada à agência Lusa, o Ministério da Saúde diz que o processo de nomeação do Conselho de Administração do CHEDV encontra-se em curso, consoante os trâmites legais, e deverá estar concluído em fevereiro.

«A saída da anterior diretora clínica, a 1 de agosto, coincidiu com o arranque do período eleitoral referente às legislativas de 2019, o que inviabilizou a prossecução deste processo que se encontra agora em fase de conclusão», refere a mesma nota.

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30 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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