Perda de fôlego em adulto ligada com  baixo peso à nascença?

05.02.2020

Estudo do Karolinska Institutet, publicado na revista JAHA
Os bebés com baixo peso à nascença têm uma maior probabilidade de apresentar uma pior capacidade cardiorrespiratória mais tarde na vida do que os que nasceram com peso normal, segundo um estudo realizado por investigadores do Karolinska Institutet, publicado na revista JAHA. 

Ter uma boa capacidade cardiorrespiratória - a capacidade de o corpo de fornecer oxigénio aos músculos durante a atividade física sustentada - é importante para a manutenção da saúde e redução do risco de inúmeras doenças e morte prematura. Contudo, esta aptidão está a diminuir globalmente, tanto para jovens quanto para adultos, alertam os autores.

Dadas suas implicações para a saúde pública, tem havido um interesse crescente em entender as causas subjacente. Neste estudo, os investigadores quiseram avaliar se o baixo peso ao nascer teve um papel nesse desempenho cardiorrespiratório.

 Os bebés com baixo peso à nascença têm uma maior probabilidade de apresentar uma pior capacidade cardiorrespiratória mais tarde na vida do que os que nasceram com peso normal 

Foram acompanhados mais de 280.000 homens desde o nascimento até o alistamento militar entre 17 e 24 anos, usando registos suecos baseados na população. No recrutamento, os homens foram submetidos a um exame físico que incluiu uma avaliação do desempenho aeróbico máximo em bicicleta ergométrica. 

Os investigadores descobriram que aqueles que tinham nascido com mais peso tiveram um desempenho significativamente melhor no teste de capacidade cardiorrespiratória.

«Para cada 450 gramas de peso extra ao nascer, num bebé nascido com 40 semanas, a capacidade máxima de trabalho na bicicleta aumentou em média 7,9 watts», destacam os autores, acrescentando que «a associação foi estável em todas as categorias de índice de massa corporal (IMC) na idade adulta jovem e foi amplamente semelhante numa análise de subconjunto de mais de 52.000 irmãos».

«Diferença alarmante»

«A magnitude da diferença que observamos é alarmante», sublinha Daniel Berglind, um dos autores, citado num comunicado do Karolinska Institutet. 

«O aumento observado de 7,9 watts para cada 450 gramas de peso extra ao nascer, num bebé nascido com 40 semanas, traduz-se num aumento de aproximadamente 1,34 no equivalente metabólico (MET), o qual foi associado a uma diferença de 13% no risco de morte prematura e uma diferença de 15% no risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Tais diferenças na mortalidade são semelhantes ao efeito de uma redução de 7 centímetros na circunferência da cintura», salienta o investigador.

Visto que cerca de 15% dos bebés em todo o mundo pesam menos de 2,5 quilos ao nascer e que o condicionamento cardiorrespiratório pode ter implicações importantes para a saúde em adulto, os autores defendem que «a prestação de cuidados pré-natais adequados pode ser um meio eficaz para prevenir esta situação».

O estudo está disponível para consulta, aqui.  

20tm06j
05 de Fevereiro de 2020
2006Pub4f20tm06j

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 31.03.2020

Financiamento do SNS «continua a ser insuficiente», diz TC

 O financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) «continua a ser insuficiente, suscitando um esfo...

por Teresa Mendes | 31.03.2020

 «Não há só Covid no Serviço Nacional de Saúde»

 A ministra da Saúde disse esta segunda-feira que, desde início e até meados de março, a procura nas...

por Teresa Mendes | 31.03.2020

Já são mais de 200 os médicos infetados com Covid-19 em Portugal

O secretário de Estado da Saúde adiantou esta segunda-feira que há 853 profissionais de saúde, em Po...

por Teresa Mendes | 30.03.2020

Pedido o reforço dos meios de proteção individual, dos testes e das condiçõ...

Oitenta profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e administradores hospitalares, pediram e...

por Teresa Mendes | 30.03.2020

Covid-19: Investigadores continuam sem acesso aos dados anonimizados em Por...

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) alerta que, apesar de o primeiro-ministro ter anunc...

por Teresa Mendes | 30.03.2020

 Ensaios clínicos: Infarmed recomenda suspensão de recrutamento em caso de...

Tendo em conta o contexto atual, o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.