Actividade médica deve ser considerada profissão de risco e desgaste rápido

06.02.2020

Medida defendida por Miguel Guimarães
Na cerimónia de tomada de posse como bastonário da Ordem dos Médicos (OM) no seu segundo mandato, Miguel Guimarães estabeleceu como fundamental considerar a atividade médica como uma «profissão de risco e desgaste rápido» e pediu ao Governo para criar condições para manter os profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na opinião do dirigente, «é cada vez mais premente salvaguardar a integridade física e mental dos profissionais», lembrando eu estes trabalham sob elevados níveis de stress e ansiedade.

Dirigindo-se à ministra da Saúde, o bastonário apontou como um dos principais desafios do Governo a criação de condições de trabalho para «manter os melhores valores» no SNS, dando-lhes um projeto de trabalho, respeitando-os e valorizando as suas competências.

Miguel Guimarães pediu ainda que se encontrem soluções eficazes para que «os doentes não desesperem nas listas de espera» para consultas ou cirurgias.

Na cerimónia, que decorreu esta quarta-feira, na Estufa Fria, em Lisboa, o responsável disse ainda que «não se defende a marca SNS ocultando o que está mal, promovendo um clima de medo para silenciar as pessoas», nem tentando responsabilizar os profissionais pelas insuficiências.

«Não aceitamos permanecer em silêncio quando estão em causa os nossos doentes, a nossa dignidade profissional e até a nossa integridade física, como recentemente se percebeu com a lamentável sucessão de agressões», afirmou.

Antes já a ministra da Saúde, Marta Temido, tinha também feito referência à violência contra os profissionais de saúde, apelando a um trabalho em conjunto com a OM para erradicar os casos de violência.

Para o bastonário da OM, «é cada vez mais premente salvaguardar a integridade física e mental dos profissionais» 

«A violência - todas as formas de violência - é um problema de Saúde Pública e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para a erradicar», disse a governante.
«Também aqui, será essencial que caminhemos lado a lado, por todos os profissionais de saúde, pelos portugueses e pelo país», afirmou Marta Temido.

A ministra garantiu que o Governo tem observado de «forma atenta» os casos de violência contra os profissionais de saúde, frisando que é preciso trabalhar numa «mudança cultural no sentido da não violência».

Marta Temido disse ainda que o Governo tem um «grande respeito por todos os médicos», reforçando que não deve ser perdido de vista o «respeito institucional mútuo».

Quem não pode estar presente, a OM disponibilizou um vídeo com a gravação da cerimónia.

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06 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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