Demitiram-se 33 diretores e coordenadores do SESARAM 

por Teresa Mendes | 07.02.2020

Responsáveis dizem estar perante uma «partidarização da área clínica da saúde» 
Trinta e três diretores de serviço e coordenadores de unidades do Serviço Regional de Saúde da Madeira (SESARAM) demitiram-se ontem em protesto contra a tomada de posse, prevista para esta sexta-feira, do médico Mário Pereira, ex-deputado do CDS-PP, como diretor clínico daquela instituição.

«Os diretores de serviços e coordenadores de unidade abaixo-assinados, perante o desenvolvimento do processo que parece conduzir à nomeação do diretor clínico do SESARAM através de um percurso em nada adequado aos estatutos reguladores da instituição, afirmam-se pela decisão em apresentar a demissão dos cargos em que estão empossados», disse o cardiologista António Drumond Freitas, no final de uma reunião na Ordem dos Médicos, no Funchal.

O especialista detalhou que «os demissionários representam 66% dos diretores e coordenadores, ou seja, 33 médicos de um total de cerca de 50».

«Esta é uma tomada de posição perante a nomeação de uma pessoa que está adstrita aos partidos [o XIII Governo Regional é uma coligação formada pelo PSD/CDS e, ao abrigo do acordo de governo assinado por aqueles partidos, o cargo de diretor clínico seria entregue a um representante do CDS]», adiantou à Lusa Drumond de Freitas.
Ora, segundo o médico, «este cargo [diretor clínico] é um cargo técnico e os cargos técnicos são para pessoas técnicas entre os médicos e coordenadores de unidades».

Os médicos contestatários lembram que «a legislação queregula o SESARAM estabelece que o diretor clínico é nomeado pelo secretário regional da Saúde sob proposta do conselho de administração da instituição de entre os médicos que trabalham nesta entidade, reconhecido pelo seu mérito e experiência profissional»

Ao considerarem estar perante «uma forma de partidarização da área clínica da saúde», os médicos contestatários lembram que «a legislação que regula o SESARAM estabelece que o diretor clínico é nomeado pelo secretário regional da Saúde sob proposta do conselho de administração da instituição de entre os médicos que trabalham nesta entidade, reconhecido pelo seu mérito e experiência profissional».

A Lusa tentou contactar o secretário regional da Saúde da Madeira, Pedro Ramos, e o próprio Mário Pereira, mas não obteve resposta.

Entretanto, o grupo parlamentar do PS/Madeira divulgou um comunicado lamentando «esta situação inédita na região e no país» em torno da direção clínica do SESARAM, considerando que «o secretário da Saúde da região deve demitir-se e o médico Mário Pereira deve recusar tomar posse». 

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07 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt 

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