Cerca de 40% dos médicos de Bragança vão reformar-se nos próximos três anos

11.02.2020

Bastonário defende uma «estratégia» para as regiões mais carenciadas
 Nos próximos três anos, cerca de 40% dos médicos que prestam cuidados de saúde no distrito de Bragança atingem a idade da reforma e o Governo terá de tomar medidas, alertou esta segunda-feira o bastonário da Ordem dos Médicos, antecipando que o Estado vai ter «dificuldades» em conseguir médicos que queriam trabalhar no Nordeste Transmontano. 

«O interior está numa situação muito difícil e, no distrito, de Bragança a situação está pior. Há uma percentagem muito elevada de médicos, que ronda os 40%, que está a atingir a idade da reforma nos próximos três anos», salientou o responsável, que falava à Lusa em tempo de balanço de uma visita a este território, enquadrada na iniciativa «Médicos em Missão», que decorreu no fim de semana.

«O interior está numa situação muito difícil e, no distrito, de Bragança a situação está pior», salientou Miguel Guimarães 

«Os médicos que atingem [agora] a reforma, chegaram numa situação muito particular, enquadrados no programa “Serviço Médico à Periferia”, e muitos acabaram por ficar a trabalhar nestes locais, onde constituíram as suas famílias.

Como não tem havido uma preocupação do ministério [da Saúde] em reforçar as equipas mais velhas, há unidades de saúde que podem ficar desfalcadas», avisou o dirigente.

Na opinião de Miguel Guimarães, a renovação das equipas médicas «tem de ser feita com tempo», exemplificado a afirmação com a situação vivida no Centro de Saúde de Vimioso, onde observou que, «se amanhã saírem os três médicos que estão nesta unidade, a mesma pode ficar sem clínicos».

«Dou este exemplo, como poderia dar outro qualquer. No interior profundo esta situação é muito mais notória, porque os médicos mais novos vão ficando nas grandes cidades, e não há uma estratégia do Governo para a renovação dos quatros médicos neste território», sublinhou o responsável, defendendo que é preciso ter uma «estratégia» em matéria de saúde para as regiões mais carenciadas, «para não haver um país que funciona a dois tempos».

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11 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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