Mais ricos acedem mais a consultas de especialidade

por Teresa Mendes | 11.02.2020

Estudo português sobre equidade na utilização de cuidados de saúde
Um estudo sobre a utilização de consultas médicas em Portugal aponta para um «notável progresso em termos de equidade relacionada com o rendimento». Contudo, «persiste iniquidade, favorável aos mais ricos, no uso de consultas de especialidades hospitalares».

O trabalho, da autoria de Carlota Quintal e Micaela Antunes, ambas professoras na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, publicado na edição de fevereiro da Acta Médica Portuguesa, revela ainda que, «não obstante este avanço, existem vários fatores, não relacionados com a necessidade, que ainda continuam a afetar a utilização de consultas médicas». 

«Mais do que o rendimento, a educação assume um papel fundamental na utilização das consultas médicas, e, em menor escala, verificam-se iniquidades geográficas e na cobertura de seguros de saúde», lê-se nas conclusões do estudo, que sugere que Portugal «conseguiu alguns progressos, e isto apesar da crise económica e financeira que o afetou recentemente, mas permanecem desafios no sentido de assegurar a equidade na utilização de cuidados de saúde».

As investigadoras consideram que a resposta aos desafios encontrados passa sobretudo por «políticas públicas em várias áreas, com maior ou menor abrangência, quer em termos dos grupos populacionais quer em termos geográficos, no sentido de garantir que quem tem necessidade acede aos serviços de saúde».

Um estudo sobre a utilização de consultas médicas em Portugal aponta para um «notável progresso em termos de equidade relacionada com o rendimento». Contudo, «persiste iniquidade, favorável aos mais ricos, no uso de consultas de especialidades hospitalares»

Aos profissionais de saúde «competirá sobretudo assegurar que, uma vez chegados aos serviços de saúde, os cidadãos são tratados de modo equitativo, tendo em conta a sua necessidade e independentemente de outras quaisquer características», salientam.

Os resultados da investigação revelaram igualmente, em termos gerais, que ter melhor saúde autoavaliada e não sofrer de limitações nas atividades diárias reduz a utilização dos cuidados de saúde; que sofrer de doença crónica aumenta o uso; que o rendimento não é estatisticamente significativo; que a educação aumenta o uso, com efeito pronunciado; que viver em zonas urbanas e em Lisboa (comparado com o Norte) aumenta a utilização e ainda que residir no Algarve ou Madeira, ou beneficiar apenas do Serviço Nacional de Saúde está associado a menos utilização.

«Equidade na Utilização de Consultas Médicas em Portugal: Na saúde e na Doença, na Riqueza e na Pobreza?» é o título do trabalho que pode ser acedido na íntegra aqui.

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11 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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