Doença renal crónica, uma ameaça crescente contra a saúde pública global

por Teresa Mendes | 17.02.2020

Análise global publicada na revista The Lancet
A taxa de mortalidade por doença renal crónica (DRC) deve aumentar nos próximos anos, a menos que mais países invistam em medidas preventivas e tratamento precoce.
Esta é a conclusão de uma análise sistemática global do consórcio internacional de investigação Global Burden of Disease, publicada esta sexta-feira na revista The Lancet. 

É sabido que o número de pessoas com DRC aumentou dramaticamente nas últimas décadas.
Apesar disso, «a consciência para a doença é baixa tanto na população em geral, quer entre as autoridades de saúde.
Apenas 17% dos países têm uma estratégia nacional para combater a DRC e estima-se que menos da metade dos especialistas em cuidados primários e secundários do mundo siga as guidelines atuais», consideram os autores do estudo que foi liderado em parte por Johan Ärnlöv do Karolinska Institutet, na Suécia. 

«As consequências, literalmente, são mortais», alerta aquele investigador, professor do Departamento de Neurobiologia, Ciências do Cuidado e Sociedade do Karolinska Institutet.

Os investigadores esperam que «até 2040 o número de mortes diretas por doença renal crónica aumente 2,2-4 milhões»

«A doença renal crónica está a crescer e, ao contrário de muitas outras doenças não infeciosas, como as doenças cardiovasculares e cancro, a taxa de mortalidade não está a diminuir - em vez disso, aumentou nas últimas décadas», reforça o investigador, citado num comunicado à Imprensa publicado no site do Karolinska Institutet.

Tratamento para salvar vidas é fornecido tarde demais

«O aumento da carga da DRC deve-se em parte a uma crescente população idosa, bem como ao aumento acentuado das causas subjacentes mais comuns, como a diabetes e hipertensão.
Por outro lado, também a baixa consciencialização sobre a importância da função renal comprometida contribui para que o tratamento para salvar vidas às vezes seja fornecido tarde demais ou não seja sequer fornecido», observa o press release.

O estudo incluiu dados epidemiológicos de 195 países, sendo o maior esforço global para quantificar a DRC até o momento, fazendo parte do projeto Global Burden of Disease , patrocinado pela Fundação Bill e Melinda Gates.
No artigo agora publicado, estima-se que em 2017 «cerca de 9,1% da população mundial sofria de alguma forma de DRC, dos quais 1,23 milhões morreu como resultado direto de sua doença e outros 1,36 milhões morreram de doença cardiovascular resultante de insuficiência renal». 

Os investigadores esperam que «até 2040 o número de mortes diretas por doença renal crónica aumente 2,2 - 4 milhões».

Em grande parte evitável e tratável

Na opinião dos autores, apesar do panorama sombrio, há um lado positivo, pois a DRC pode ser evitada ou tratada. «Portanto, merece maior atenção na tomada de decisões sobre políticas de saúde global, especialmente nas regiões mais atingidas».

Segundo os investigadores, um plano de ação abrangente para melhorar o tratamento da doença renal pode reduzir significativamente o risco de mortalidade prematura.
 
O estudo, intitulado «Global, regional, and national burden of chronic kidney disease, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017», pode ser consultado aqui.
   
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17 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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