ANMSP exige definição e divulgação urgente de um Plano de Contingência Nacional

por Teresa Mendes | 25.02.2020

SIM defende que «se criem medidas de proteção dos profissionais de saúde»
O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, defende que a «subida muito rápida» de casos de infeção com o Covid-19 em Itália deverá levar a Direcção-Geral da Saúde (DGS) a definir e acionar um plano de contingência mais vasto do que as orientações técnicas que divulgou até agora para lidar com os diversos cenários possíveis em Portugal.

«É necessário repensar o raciocínio efetuado até agora.
Esta subida muito rápida de casos [em Itália] e a transmissão generalizada deixa-nos muito preocupados.
O que foi divulgado até à data em Portugal foram orientações técnicas sobre o que fazer perante um caso», explicou Ricardo Mexia ao jornal Público esta segunda-feira. 

«Também o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças estará, imagino, a repensar a avaliação de risco que efetuou», acrescentou. 

SIM apela ao Governo para que «leve verdadeiramente a sério o problema»

No mesmo dia, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) apelou ao Governo para que «leve verdadeiramente a sério o problema do novo coronavírus».

«O elevado número de doentes regressados de Itália que recorreram nos últimos dias presencialmente aos diversos serviços de saúde mostram que o Ministério da Saúde em vez de se envolver em atividades de propaganda devia estar a investir numa forte campanha de comunicação com informação preventiva em saúde, no âmbito da presente ameaça, junto da população e dos grupos de maior risco até ao momento: os viajantes», considera o SIM num comunicado.

«Esta subida muito rápida de casos [em Itália] e a transmissão generalizada deixa-nos muito preocupados», diz o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia 

Para o sindicato «é premente a capacitação dos serviços de saúde, incluindo o aumento substancial da capacidade de diagnóstico laboratorial bem como a criação de equipas dedicadas de vigilância epidemiológica».

Na nota à Imprensa, o SIM exige que «se criem medidas de proteção dos profissionais de saúde, com reforço urgente dos stocks de equipamento de proteção individual e a rápida divulgação do Plano de Contingência Nacional» e apela «à alteração do Código do Trabalho para que o isolamento profilático seja incluído nas faltas justificadas, situação que poderá ser necessária não só para os médicos vinculados por Contrato Individual de Trabalho mas para todos os portugueses que trabalham e não são funcionários públicos».

Por fim, aquela estrutura sindical reafirma a «exigência de respeito pelos médicos de Saúde Pública que em tempo de Emergência de Saúde Pública de âmbito internacional continuam presos a tarefas desadequadamente atribuídas às Autoridades de Saúde, de que o exemplo maior é a realização de Juntas Médicas de Incapacidade, atividade sem qualquer impacto na prevenção da doença e na proteção da saúde», alegando que se tais tarefas não lhes estivessem atribuídas, «há anos também certamente que o País estaria hoje mais bem preparado para responder a esta ameaça».

Recorde-se que esta segunda-feira, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou que o mundo tem de se preparar para uma «eventual pandemia» do novo coronavírus, considerando «muito preocupante» o «aumento repentino» de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

20tm09h
25 de Fevereiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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