E se ambos os elementos do casal forem médicos?

por Teresa Mendes | 16.03.2020

Ordem dos Médicos informa que ministra vai acautelar esta situação 
O Governo aprovou a abertura de escolas para filhos de profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança, de socorro e das forças armadas.

Contudo, a Ordem dos Médicos (OM) informa que o decreto-lei publicado «vai ser revisto», no sentido de acautelar situações em que nenhum elemento do casal possa ficar com os filhos por estarem ambos entre as profissões citadas.

Após analisar as medidas extraordinárias do Conselho de Ministros, divulgadas esta sexta-feira - Decreto-Lei n.º 10-A/2020, o bastonário da OM escreveu à ministra da Saúde alertando para «os efeitos nefastos que esta medida pode ter, ao obrigar a que nenhum elemento do casal possa ficar com os filhos se estiverem entre as profissões citadas», tendo esta garantido que o decreto «vai ser revisto».

«Esta legislação, apesar de poder numa primeira leitura conduzir a uma conclusão bondosa, coloca em risco toda a estrutura familiar e tem também um impacto psicológico e logístico negativo muito forte nos casais que seriam obrigados a trabalhar deixando os filhos para trás, quando em situação de crise estão a cumprir, por vezes, turnos de 12 a 24 horas», salienta Miguel Guimarães, num comunicado divulgado este domingo.

O Governo aprovou a abertura de escolas para filhos de profissionais de saúde e outras profissões. 
Contudo, a Ordem dos Médicos (OM) informa que o decreto-lei publicado «vai ser revisto», no sentido de acautelar situações em que nenhum elemento do casal possa ficar com os filhos por estarem ambos entre as profissões citadas 


O responsável contrapõe que «é mais eficaz que um dos pais trabalhe a tempo inteiro e que o outro possa trabalhar parcialmente ou ficar agora em casa e voltar ao serviço mais tarde, quando os médicos que têm estado na frente de combate precisarem de parar ou adoecerem.
Desta forma também minimizamos a possibilidade de os dois elementos do casal adoecerem ao mesmo tempo, deixando os filhos totalmente sem apoio».

«Os médicos estão disponíveis para servir a causa pública, as pessoas, os doentes, o país. Nunca baixaram os braços. Estiveram sempre presentes quando foi necessário.
Este é um momento de união, de estarmos todos juntos no combate a esta pandemia», assegura o bastonário, adiantando que muitos médicos estão já a adiar as férias que tinham previstas para os próximos meses.
Ainda assim, Miguel Guimarães vai escrever uma carta a todos os colegas, no sentido de apelar a que todos adiem as férias, pelo menos até junho, em nome de Portugal e dos portugueses.

Na nota divulgada no site da OM, o dirigente aproveita também para «agradecer a todos os cidadãos pela solidariedade que têm manifestado para com os profissionais».

«Como médico fiquei emocionado com a bonita homenagem pública que fizeram aos médicos e restantes profissionais de saúde, ao virem à janela bater palmas. Contem com a OM e com os médicos para os tempos difíceis que continuaremos a viver.
Somos parte da solução e continuaremos a estudar e propor medidas», sublinha Miguel Guimarães, insistindo na importância dos hospitais e centros de saúde adiarem todos os actos não urgentes, como consultas, cirurgias e exames de rotina.

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16 de Janeiro de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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