Profissionais de saúde só são testados se tiverem sintomas

por Teresa Mendes | 24.03.2020

DGS estabelece prioridades para a realização de testes
Apenas os profissionais de saúde sintomáticos terão prioridade para a realização do teste laboratorial para detetar o novo coronavírus, estabelece a Direção-Geral da Saúde na norma n.º 4, emitida esta segunda-feira.

O bastonário da Ordem dos Médicos já se mostrou contra, considerando que «os profissionais de saúde devem ser prioritários» na realização de testes, porque «lidam com muita gente».

Preparando o sistema de saúde para a fase de mitigação da pandemia Covid-19, a Direção-Geral da Saúde (DGS) estabeleceu já uma cadeia de prioridades para um cenário em que «não seja possível testar todos» os suspeitos de estarem infetados. Este novo cenário entra em vigor a partir das 00h00 do dia 26 de março.

Desta forma, e de acordo com a norma publicada, terão prioridade para a realização do teste laboratorial «os doentes com critérios de internamento hospitalar, os recém-nascidos e grávidas, os profissionais de saúde sintomáticos, os doentes com comorbilidades (nomeadamente com DPOC, asma, insuficiência cardíaca, diabetes, doença hepática crónica, doença renal crónica, neoplasia maligna ativa, ou estados de imunossupressão), os doentes em situações de maior vulnerabilidade, tais como residência em lares e unidades de convalescença e, por fim, os doentes com contacto próximo com pessoas com as comorbilidades identificadas acima».

Apenas os profissionais de saúde sintomáticos terão prioridade para a realização do teste laboratorial para detetar o novo coronavírus, estabelece a Direção-Geral da Saúde na norma n.º 4, emitida esta segunda-feira

«Atendendo ao alargamento progressivo da expressão geográfica da pandemia Covid-19 em Portugal, urge planear as medidas que garantam uma resposta adequada, atempada e articulada de todo o sistema de saúde», justifica a DGS.

Ordem dos Médicos acusa DGS de querer poupar nos testes

Além de estar contra esta norma, o bastonário da Ordem dos Médicos quer também a revisão da orientação n.º 13 (https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0132020-de-21032020-pdf.aspx) publicada no passado sábado para os profissionais de Saúde com exposição a Covid-19. Miguel Guimarães alerta que a orientação tem de ser revista no que toca aos profissionais de saúde expostos ao novo coronavírus que representam baixo risco de contágio.

«Vamos pedir à diretora-geral da Saúde que reveja este despacho, porque as coisas, às vezes, saem assim, e que coloque este despacho como ele dever ser», afirmou à Lusa o dirigente, sublinhando que para os profissionais de saúde de «alto risco as orientações estão bem», mas para os que representam «baixo risco não estão».

Segundo o documento, um profissional de saúde é considerado de alto risco quando é exposto, durante a prestação de cuidados, a pessoas contagiadas com a doença covid-19, sem «utilização de equipamento de proteção individual adequado».

Também se incluem nesta classificação os profissionais de saúde que tiveram contacto, «através de mucosas, com fluidos orgânicos de um doente» infetado com o novo coronavírus, ou que tenham tido contacto «desprotegido em ambiente laboratorial com amostras biológicas» de SARS-CoV-2.

Nestes casos, os profissionais ficam em isolamento profilático, durante 14 dias, estando impedidos de ir trabalhar.

Considera-se que um profissional de saúde é de baixo risco se esteve exposto a um doente «com covid-19 sem prestação de cuidados diretos e sem uso de equipamento de proteção individual».

Neste caso, os profissionais de saúde continuam a trabalhar, devendo proceder à «automonitorização, com medição da temperatura corporal, duas vezes por dia, e estar atentos para o surgimento de sintomas».

«Depois logo se vê se tem sintomas. Isto não é o procedimento para todas as outras pessoas», critica Miguel Guimarães, sublinhando que «o mínimo que se deve fazer é, pelo menos, o teste».

«Agora se estamos a racionar testes, se estamos a poupar nos testes, estamos a gastar os profissionais de saúde que ficam doentes. Não é uma boa opção. Nós temos é de gastar testes e preservar os profissionais de saúde e os cidadãos», lamentou.

«Se [o teste] for positivo, vou para casa, se o teste for negativo e não estiver infetado, vou trabalhar», explicitou.  

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24 de Março de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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