Conselho de Escolas Médicas Portuguesas defende realização maciça de testes

por Teresa Mendes | 27.03.2020

CEMP recomenda também o uso generalizado de máscaras pela comunidade
O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) defende o uso generalizado de máscaras pela comunidade, regras mais apertadas para a quarentena, a realização maciça de testes e um reforço significativo do orçamento do Ministério da Saúde.

Num documento divulgado esta quarta-feira com cinco recomendações, o CEMP, que é constituído por todos os diretores das escolas médicas portuguesas, considera que «existem um conjunto importante de áreas em que ainda é possível fazer um reforço significativo» das medidas de prevenção, de forma a diminuir o impacto da pandemia por Covid-19 em Portugal.

A primeira recomendação vai no sentido de «tornar a quarentena mais eficaz», alegando o CEMP que «ainda existe um número muito significativo de pessoas a circular, constituindo vectores da doença». 

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas defende o uso generalizado de máscaras pela comunidade, regras mais apertadas para a quarentena, a realização maciça de testes e um reforço significativo do orçamento do Ministério da Saúde

«Recomenda-se, pois, o encerramento de toda atividade não essencial, incluindo o encerramento de fábricas, atividade da construção civil e outras que ainda permanecem praticamente em atividade normal.

Um outro elemento fundamental é tornar obrigatória a quarentena de 15 dias para todas as pessoas que entram no Pais, vindas de outros Países, nomeadamente, os nossos emigrantes que pretendem passar a Páscoa em Portugal, ou mesmo voltar», lê-se no comunicado divulgado.

A «realização maciça de testes, tal como recomendado pela OMS para detetar mais casos, identificando e isolando fontes de contágio e, assim, retardando a epidemia» é a segunda recomendação, lembrando o CEMP que «esta estratégia tem resultados bem demonstrados noutros países, como seja a Coreia do Sul».

 Os diretores das escolas médicas aconselham ainda «o teste de rotina em algumas profissões de risco, em particular os profissionais de saúde».
«Está demonstrado que aumentando três vezes o número de testes diários em Portugal, em relação aos valores atuais, pode, nos dez dias subsequentes, reduzir cerca de 900 internamentos, com os respetivos impactos na disseminação da doença, bem como na sobrecarga das instituições de saúde», argumentam os oito responsáveis que assinam o comunicado.

A terceira medida pedida é um «reforço significativo do orçamento do Ministério da Saúde, a fim de proceder a um reequipamento adequado das estruturas de saúde», bem como ter uma «especial atenção à necessidade de haver material suficiente de proteção para os profissionais de saúde, uma vez que nos têm chegado relatos, e temos igualmente constatado, situações em que este equipamento não está disponível em quantidade adequada, o que tem contribuído para o número muito significativo de profissionais de saúde já infetados».

A criação duma base de dados de âmbito nacional, à qual cientistas possam ter acesso, contribuindo para uma melhor caracterização da situação em Portugal e, consequentemente, a procura de soluções melhor adaptadas à nossa realidade, é outras das recomendações.

Por fim, o CEMP, «seguindo as recomendações de várias entidades internacionais», recomenda «o uso generalizado de proteção individual, como o uso de máscaras pela comunidade, a fim de reduzir o risco de contaminação». «Está demonstrado que cada 4 em 5 dos indivíduos contaminadores desconheciam que estavam infetados no momento em que infetaram terceiros.

A experiência de Países como China, Macau, Taiwan, Singapura, Coreia do Sul, é muito consistente.
Claro que tal implica a existência duma reserva de máscaras para a população, o que se recomenda fortemente, bem como de uma atitude pedagógica de explicação do uso das mesmas, à semelhança do que foi feito noutros países com grande sucesso», conclui a nota Imprensa.

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27 de Março de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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