Ordens da saúde pedem ao primeiro-ministro reforço da proteção dos profissionais

por Teresa Mendes | 27.03.2020

Governo «não tem estado a acautelar medidas básicas» de segurança
As ordens dos Médicos, dos Farmacêuticos e dos Enfermeiros enviaram esta quarta-feira uma carta aberta ao primeiro-ministro a alertar para a «escassez de equipamentos de proteção individual».

Na missiva, é ainda pedido ao Estado que abandone a «aplicação conservadora dos testes, tanto nos profissionais como nos casos suspeitos entre cidadãos».

Os bastonários das três ordens profissionais lembram que o primeiro caso de Covid-19 no país foi noticiado a 2 de março, o que «deveria ter proporcionado uma margem de manobra superior à de outros Estados que foram confrontados com o surto mais cedo e em fases em que a informação sobre as medidas a tomar era mais incipiente».

«Infelizmente, é entendimento da Ordem dos Médicos, da Ordem dos Enfermeiros e da Ordem dos Farmacêuticos que o Governo, e o Ministério da Saúde em particular, não têm estado a acautelar medidas básicas e que podem comprometer todo o esforço de combate a este surto, de que é exemplo máximo a escassez de equipamentos de proteção individual», sublinham os responsáveis na carta enviada a António Costa.

Os dirigentes alegam que «às três associações profissionais continuam a chegar milhares de relatos de situações muito difíceis que os nossos profissionais de saúde estão a enfrentar no terreno sem estar devidamente acautelada a proteção das suas próprias vidas, dos seus familiares e dos seus doentes» 

Os dirigentes alegam que «às três associações profissionais continuam a chegar milhares de relatos de situações muito difíceis que os nossos profissionais de saúde estão a enfrentar no terreno sem estar devidamente acautelada a proteção das suas próprias vidas, dos seus familiares e dos seus doentes», acrescentando que «a falta de equipamentos de proteção individual está a contribuir para que entre o número de infetados, ou de pessoas colocadas em quarentena por contacto com caso positivo, estejam muitos profissionais de saúde».

Neste momento, dizem, «são várias as falhas de segurança, faltando desde máscaras, a luvas, fatos de proteção e desinfetantes alcoólicos, o que é extensível à rede de farmácias».

Complementarmente, os dirigentes das três ordens lamentam a «aplicação conservadora dos testes, tanto nos profissionais como nos casos suspeitos entre cidadãos», que alertam, «vai em sentido contrário ao que se tem feito em países que têm publicado alguns artigos com os bons resultados no controlo do surto através desta metodologia, como Islândia, Alemanha, algumas zonas de Itália ou Coreia do Sul».
 
Os signatários lembram que a Orientação 013/2020, publicada pela Direção-Geral da Saúde no passado dia 21 de março, «mesmo nos casos de alto risco de exposição, apenas prevê uma vigilância ativa do profissional, e, só perante febre ou sintomas respiratórios compatíveis com COVID-19, serão iniciados os procedimentos de caso suspeito, como a realização de exames laboratoriais».

Ora, concluem, «os primeiros dados, agora consolidados, de que a infeção pode ser assintomática em muitos dos cidadãos reforça a importância de testar mais pessoas na fase de mitigação em que nos encontramos». 

«Vivemos tempos extraordinários, em que todos temos de tomar decisões com base em muito pouca informação, mas temos já uma certeza: antecipar, proteger e testar são três metodologias sem as quais nunca poderemos obter os melhores resultados para Portugal e para os portugueses», lê-se ainda na carta aberta, disponível na íntegra aqui.

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27 de Março de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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