Luz verde para estudo experimental com uso de plasma de doentes recuperados

por Teresa Mendes | 02.04.2020

Covid-19: Investigação liderada pelo Karolinska Institutet
Cerca de 30 doentes com Covid-19 no Hospital Universitário Karolinska vão poder em breve começar a receber plasma sanguíneo de pessoas que recuperaram da doença.
O tratamento experimental já foi aprovado pelas entidades suecas e a sua eficácia será avaliada num estudo realizado por investigadores daquele hospital universitário e do Karolinska Institutet (KI).

O uso de plasma sanguíneo de pessoas que recuperaram de uma infeção viral para tratar os doentes é uma prática comum, que tem sido tentada contra quase todas as novas epidemias desde a gripe espanhola.

De acordo com Joakim Dillner, professor de Epidemiologia de Doenças Infeciosas no KI, esta terapêutica surtiu algum efeito em cerca de metade de todas as infeções contra as quais foi testada no século passado.

«Não sabemos se [o uso de plasma de doentes recuperados] funcionará contra o Covid-19, mas, como já foi eficaz em tantas outras infeções, temos de tentar», salienta Joakim Dillner

«Não sabemos se funcionará contra o Covid-19, mas, como já foi eficaz em tantas outras infeções, temos de tentar», salienta Joakim Dillner, que lidera o estudo, citado num comunicado do KI, divulgado esta quinta-feira.

Testes de anticorpos serão aperfeiçoados

Uma das vantagens deste tipo de terapêutica é que a logística em torno das doações de sangue já está montada. Uma das desvantagens é que «ainda não está totalmente desenvolvido um método para medir os níveis de anticorpos contra o Covid-19 no plasma sanguíneo».
E neste aspeto, «os investigadores do KI, que estão a trabalhar para desenvolver testes válidos de anticorpos, «terão um papel importante».

«Muitas pessoas do KI e do SciLifeLab estão ansiosas por ajudar e estão a trabalhar no sentido de melhorar os métodos para testar os níveis de anticorpos no sangue após a infeção pelo Covid-19», salienta Joakim Dillner, explicando que «precisamos dessas análises para determinar quais dos doentes recuperados podem ser os melhores e mais adequados para serem doadores de sangue».

Numa primeira fase, a segurança desta terapêutica será avaliada em 10 doentes internados no Hospital Universitário Karolinska com Covid-19 e que podem participar ativamente respondendo perguntas. 

Se o tratamento for considerado seguro, o estudo será expandido para testar o seu efeito em outros 20 doentes, revela a nota à Imprensa.

Impulso durante a fase crucial

Experiências anteriores de tratamentos semelhantes contra outras infeções sugerem que «uma dose de até 200 ml de plasma pode ser suficiente para reduzir os sintomas», o que de acordo com Joakim Dillner, implicaria «que uma doação padrão de 600 ml de plasma de um sobrevivente de COVID-19 com plasma utilizável possa ser suficiente para tratar três doentes».

«É como um tratamento único durante uma fase crucial em que você precisa de ajuda para combater a infeção», conclui Joakim Dillner.

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02 de Abril de 2020
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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