Doença celíaca associada ao aumento da mortalidade prematura

por Teresa Mendes | 09.04.2020

Estudo do Karolinska Institutet e da Columbia University 
Apesar do aumento da consciencialização sobre a doença celíaca e de um maior acesso a alimentos sem glúten, um estudo do Karolinska Institutet, na Suécia, e da Columbia University (USA), revela que esta patologia está associada a um aumento do risco de morte prematura de 21%. 

A investigação, publicada esta terça-feira na revista JAMA, conclui ainda que a doença celíaca está relacionada com o aumento do risco de morte por doenças cardiovasculares, cancro e de doenças respiratórias.

Segundo os autores, os estudos anteriores já tinham demonstrado um aumento modesto, porém persistente, do risco de morte prematura nestes doentes.
No entanto, referem, nos últimos anos, «aumentou o número de pessoas diagnosticadas com um nível de doença mais leve e estão amplamente disponíveis os alimentos sem glúten», o que pressupunha que esse risco aumentado de morte prematura já não acontecesse. 

Aumento de 21% na mortalidade

Os investigadores avaliaram num período de 10 anos, os registos de quase 50 mil doentes, tendo concluído que «a mortalidade geral aumentou 21% naqueles que tinham doença celíaca».

Além disso, «o aumento relativo do risco de mortalidade revelou-se em todas as faixas etárias, com maior destaque para os diagnosticados na faixa etária entre os 18 e os 39 anos».

Apesar do aumento da consciencialização sobre a doença celíaca e de um maior acesso a alimentos sem glúten, um estudo do Karolinska Institutet e da Columbia University, revela que esta patologia está associada a um aumento do risco de morte prematura de 21% 

«Sabíamos que a doença celíaca pode causar uma série de complicações a longo prazo que podem afetar a expectativa de vida, mas este estudo avalia uma população de uma era mais recente, e num momento em que a consciência da doença celíaca e o acesso a alimentos sem glúten é generalizada», diz Benjamin Lebwohl, diretor de investigação clínica do Celiac Disease Center da Columbia University e primeiro autor do estudo.

«Apesar disso, descobrimos que a doença celíaca está associada a consequências a longo prazo», reforça o responsável num comunicado à Imprensa.

De facto, foi possível concluir que «os indivíduos com doença celíaca apresentavam um maior risco de morte por doenças cardiovasculares, cancro e doenças respiratórias».

Além disso, «o risco geral de mortalidade foi maior no primeiro ano após o diagnóstico, mas o aumento do risco persistiu além de 10 anos após o diagnóstico, sendo que o aumento do risco estava presente também em doentes diagnosticados nos últimos anos (2010-2017)».

Inflamação faz mal à saúde

«A doença celíaca é caracterizada por inflamação, que geralmente é prejudicial à saúde», destaca outro dos autores, Jonas F Ludvigsson, pediatra no Hospital Universitário Örebro e professor de Epidemiologia Clínica no Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatística do Instituto Karolinska.

«Portanto, não me surpreende que tenhamos encontrado um aumento da mortalidade por várias causas de morte em indivíduos com doença celíaca», acrescenta.

O facto de os riscos relativos serem maiores no primeiro ano de acompanhamento pode ter várias explicações, segundo Ludvigsson: «A inflamação intestinal geralmente é mais intensa na altura do diagnóstico e antes que uma dieta sem glúten tivesse efeito na cicatrização da mucosa. Outra explicação possível é que o diagnóstico celíaco pode ter sido feito em pessoas que estavam muito doentes por outras causas.»

Em análises separadas, os autores ajustaram o status socioeconómico e as comorbidades, contudo, «o aumento do risco de mortalidade para pessoas com doença celíaca permaneceu».

O estudo, intitulado «Association Between Celiac Disease and Mortality Risk in a Swedish Population», está disponível para consulta aqui.
 
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09 de Abril de 2020
2015Pub5f20tm15p
    
Publicada originalmente em www.univadis.pt

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